Mais Esperança

01.07.2021

Rebanhos, para defender espaços naturais

Usar o pastoreio para prevenir incêndios e recuperar áreas degradadas, são os principais objetivos do projeto “Rebanhos Mais”, apoiado pelo Programa Promove – Regiões Fronteiriças do BPI/ Fundação “la Caixa”

A necessidade de prevenir riscos naturais fez nascer o projeto “Rebanhos Mais”, projeto de cooperação transfronteiriça, que conta com a atuação organizada dos criadores de raças autóctones, no território do Alto Tâmega.

Para o desenvolver, vão ser criados “modelos de sistemas de informação georreferenciados (SIG) que, através de uma plataforma virtual, permitam a prevenção de riscos e a adaptação às alterações climáticas nos territórios”, explica Duarte Gomes Marques, responsável pelo projeto.

Coordenado pela Associação Florestal e Ambiental de Vila Pouca de Aguiar, em conjunto com outras associações portuguesas como os Criadores de Maronês, a Criadores de Cabra Bravia e os Caprinicultores Nacionais da Raça Serrana, este projeto é financiado pelo programa Promove -Regiões Fronteiriças do BPI/Fundação ‘la Caixa’.

A ideia nasceu em 2018, na sequência do trabalho desenvolvido pela Comunidade Terra Maronesa, que envolve diferentes tipos de pessoas e de organizações com o objetivo comum de regenerar o território rural.

Esta comunidade começou a funcionar “de forma bastante informal, através de vários mecanismos e ações através dos quais se procurava a interação das pessoas e organizações do território: website, redes sociais (Facebook, Instagram), grupos online (Messenger, Whatsapp, Slack), reuniões presenciais, seminários e workshops, etc.”, conta Duarte Marques.

No âmbito das várias iniciativas realizadas “foi identificado o problema da regressão do pastoreio nas pastagens de montanha, nas últimas décadas, do qual resultou o aumento do crescimento de arbustos (em particular matos) e na perda de pastagens permanentes de boa qualidade.” A consequência não é apenas o armazenamento de carbono nos solos, mas também o aumento do risco de incêndios florestais.

Foi para tentar resolver estes problemas que nasceu o projeto “Rebanhos Mais” apresentado, em 2019, ao programa Promove- Regiões Fronteiriças.

Hoje, cerca de 30 pessoas e organizações participam ativamente neste projeto, atuando também como disseminadoras das atividades desenvolvidas pela Comunidade Terra Maronesa. Visitam explorações agrícolas, onde informam e sensibilizam famílias para a importância da prevenção de riscos e da adaptação às alterações climáticas. Deslocam-se também frequentemente a escolas, universidades e outras instituições, para partilhar informação sobre os temas em causa.

Um trabalho reconhecido

O modelo de intervenção da Comunidade Terra Maronesa tem merecido o reconhecimento de várias entidades públicas e privadas de âmbito local, regional e nacional. Destaque-se a recente referência do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ao trabalho desenvolvido pela Associação Terra Maronesa nos domínios da conservação da natureza e da biodiversidade, durante o “Encontro do Dia Mundial da Biodiversidade – ONGA’s no Palácio”. O Presidente sublinhou o exemplo da atividade de sensibilização e educação ambiental, para a preservação do património natural e salvaguarda dos ecossistemas e da biodiversidade.

Muitas e diversas ações têm sido desenvolvidas no âmbito do projeto “Rebanhos Mais”. Na área do apoio à produção, com a prestação de apoio técnico a 15 criadores de gado; na formação diagnosticada e solicitada pelos criadores através de questionários de conhecimento: Curso Operacional de Queima e Curso de Pastoreio Sustentável e Gestão da Paisagem; na instalação das coleiras em todos os rebanhos envolvidos; no desenvolvimento de planos de pastoreio específicos para cada uma das explorações.

A certificação da atividade de pastoreio, o apoio à comercialização, a realização de estudos de mercado e implementação de um plano de markerting, bem como a dinamização territorial, envolvendo comunidades, associações de criadores de raças autóctones parceiras e outras entidades, são outras das atividades promovidas.

Além do financiamento concedido pelo BPI e Fundação “la Caixa”, este projeto recebe ainda outros apoios, de pessoas de competências diversas e reconhecidas e de entidades que participam na Comunidade de Prática e que disponibilizam instalações e equipamentos para realizar várias iniciativas e angariar outros recursos.

O Programa Promove – Regiões Fronteiriças, apoiado pelo BPI/Fundação “la Caixa” visa estimular projetos piloto e ideias inovadoras que contribuam para o desenvolvimento económico das regiões do interior de Portugal.