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22.07.2021

Arqueólogos em campanha na cidade romana de Ammaia

José Ventura

Na cidade romana de Ammaia, situada em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede, Alto Alentejo, um grupo de arqueólogos prossegue o trabalho de exploração e de valorização do quinto anfiteatro romano conhecido na antiga província da Lusitânia.

Identificado em 2019, no âmbito do projeto de estudo dos edifícios lúdicos da cidade romana, este anfiteatro, com uma estrutura de cerca de 60 metros de comprimento no seu eixo maior, infraestrutura pétrea e bancadas de madeira, junta-se aos anteriormente descobertos em Mérida (Espanha), Conímbriga (Coimbra), Bobadela (Oliveira do Hospital) e Caparra (Cáceres, Espanha).

Apoiado pela Fundação “la Caixa” e pela Câmara de Marvão, o projeto denominado "A nova realidade patrimonial transfronteiriça: descobrimento e valorização do Anfiteatro de Ammaia" resulta de uma colaboração entre a Fundação Cidade de Ammaia, a Fundación de Estudios Romanos, o Museo Nacional de Arte Romano e o Centro de Arqueologia da universidade de Lisboa (Uniarq).

Classificada como Monumento Nacional em 1949, a cidade romana de Ammaia, é considerada o mais importante vestígio da sua época no Alentejo.

Até 1994, as ruínas estiveram abandonadas, iniciando-se, nesse ano, as primeiras escavações arqueológicas.

Neste espaço, encontra-se um museu e um laboratório de conservação e restauro, que é também um local de trabalho para os investigadores que estudam aquela antiga cidade romana.

Objetivo: explorar e valorizar

Os arqueólogos continuam a trabalhar na “identificação do perímetro do edifício e escavação e estudo dos compartimentos associados à arena (carceres), os locais onde se guardavam os animais, para as venationes, lutas de humanos contra animais, ou onde os gladiadores se preparavam para entrar em ação nos combates singulares que realizavam”, conta Sofia Borges, uma das técnicas que participa na campanha arqueológica, esclarecendo quais os objetivos do projeto em curso, nos próximos anos: “a análise, estudo e consolidação do monumento; valorizar e tornar acessível o monumento, com a sua integração no percurso da visita turística”.

Atualmente participam de forma permanente neste projeto, 12 pessoas. Desenvolvem atividades como o estudo arqueológico (escavação) e consolidação do anfiteatro; sinalética e acessibilidades para essa área arqueológica; criação de conteúdos bilingue; criação de material de divulgação e merchandising; criação de novos conteúdos para adaptação dessa temática no museu da Ammaia; criação e conceção de conteúdos digitais; conceção e execução de uma exposição temporária itinerante para divulgação do projeto Anfiteatro de Ammaia; e workshop internacional intitulado "Anfiteatro de Ammaia”, explica Sofia Borges.

Além do apoio financeiro da Fundação ‘la Caixa’, a equipa de Mérida também recebe apoio do projeto denominado "Lusitania, Investigación y Proyecto Arqueológico en la Ciudad Romana de Ammaia – IV” financiado por Ayudas del Ministerio de Cultura y Deporte para Proyectos Arqueológicos en el Exterior; bem como da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, da Fundação Cidade de Ammaia e do Município de Marvão.