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02.08.2021

Ctrl+Alt+Emprego: o projeto que tem como objetivo integrar migrantes no mercado de trabalho

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Facilitar o acesso dos migrantes ao mercado de trabalho, aumentando o seu conhecimento sobre direitos e deveres de cidadania na área laboral e promover a orientação profissional através de uma plataforma web são os principais objetivos do projeto Ctrl+Alt+Emprego.

Desenvolvido no âmbito do Programa Cidadãos Ativ@s financiado pelo Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (EEA Grants – Islândia, Liechtenstein e Noruega), este projeto é gerido pela Fundação Calouste Gulbenkian em consórcio com a Fundação Bissaya Barreto.

O seu responsável, Carlos Erazo, explica o que está na base desta ideia: contribuir para o melhor acesso dos migrantes ao mercado de trabalho, através do “aumento da alfabetização digital e do enriquecimento das suas competências a nível social, cultural, pessoal e profissional.”

Desta forma, o Ctrl+Alt+Emprego que será desenvolvido ao longo de 18 meses, proporciona aos migrantes “mais oportunidades de emprego com melhores condições de trabalho; facilita o acesso a informação/conhecimento sobre direitos/deveres de cidadania correlacionados com matéria laboral; e, promove a orientação profissional e a prospeção de emprego autónomas, mediante a criação e operacionalização de uma plataforma web.”

Além do desenvolvimento desta plataforma, o objetivo é registar ali 500 utilizadores migrantes “como medida de empoderamento económico”, bem como realizar “cinco ações de formação na área das TIC, cada uma com duração de 40 horas, para um total de 30 migrantes vulneráveis”, esclarece Carlos Erazo.

Inserir profissionalmente para integrar

O projeto Ctrl+Alt+Emprego surgiu dentro do Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) uma organização internacional católica sob a responsabilidade da Companhia de Jesus. Em Portugal desde 1992, desenvolve gratuitamente um amplo conjunto de ações, entre as quais a que visa a inserção profissional para a integração da população migrante na sociedade portuguesa.

Os imigrantes e refugiados apoiados pelo JRS Portugal são oriundos de mais de 60 países, sobretudo da Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola, Brasil, Cabo-Verde e Ucrânia. Uma população caraterizada “por reduzida experiência profissional e baixa escolaridade, o que acarreta fortes dificuldades na procura de emprego”, sublinha Erazo.

“De maneira especial, o projeto surge no gabinete de emprego que acompanha refugiados e imigrantes à procura de trabalho.”, diz. Em 2019, este gabinete acompanhou 1372 pessoas de diversas nacionalidades, número amplamente superado no ano passado, em que foram atendidas 1898 pessoas, muitas sem competências informáticas e digitais.

No contexto marcado pela pandemia, o gabinete pensou o projeto Ctr+Alt+Emprego “como um mecanismo para empoderar as pessoas, oferecer competências em IT de tal maneira que possam adquirir capacidades para encontrar um emprego e inserir-se mais facilmente no contexto laboral”, já que “o trabalho é um fator essencial no processo de inserção social destas pessoas”, nota o responsável pelo projeto.

Com o aumento do número de desempregados, consequência da pandemia, o número de imigrantes a pedir apoio também cresceu. Nos primeiros seis meses deste ano, já foram atendidos 1343 estrangeiros. “Temos tido grande dificuldade em acompanhar a todas estas pessoas”, afirma Carlos Erazo, notando que “a plataforma que será desenvolvida, lhes oferecerá uma grande ajuda” na aquisição de novas competências.

Além das quatro pessoas que fazem parte do gabinete de emprego do JRS e que realizam várias atividades no âmbito deste projeto, o Ctr+Alt+Emprego conta com a parceria da associação Fórum Refúgio, coordenada por Alexander Kpatue Kweh que tem contribuído para a realização dos Focus Groups.

O projeto conta ainda com o apoio de um estagiário e duas voluntárias que estão a trabalhar na elaboração de um manual e dos conteúdos para disponibilizar na plataforma.

Com a pandemia, o trabalho do gabinete de emprego, que apenas acompanhava pessoas na área metropolitana de Lisboa, aumentou, passando a apoiar pessoas em todo o país, incluindo nas ilhas.