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24.08.2021

Alergias alimentares: associação Alimenta ajuda doentes

Entre 20% a 30% dos portugueses tem, pelo menos, uma alergia. Uma das mais comuns é a alergia alimentar. Para ajudar a melhorar a qualidade de vida dos portadores de doenças relacionadas com alergias e intolerância alimentares, nasceu, em 2013, a associação Alimenta.

Mariscos, peixes, frutos secos/sementes, amendoim e frutos frescos são alguns dos alimentos que mais frequentemente causam alergias nos adultos.

Nas crianças, contam-se as proteínas do leite de vaca, o ovo, o peixe, o trigo, os frutos secos, o amendoim e a soja.

As alergias são caraterizadas por uma reação exagerada do sistema imunitário que desencadeia um processo de inflamação que se manifesta desde uma leve irritação na pele até ao grave choque anafilático.

A principal forma de evitar uma alergia alimentar é não consumir o alimento (ou alimentos) que a provocam. Por isso, é muito importante diagnosticá-la corretamente distinguindo-a da intolerância alimentar. Esta resulta de mecanismos digestivos, metabólicos ou relacionados com a composição do alimento, enquanto que a alergia alimentar é provocada por uma reação exagerada do sistema imunitário.

Para ajudar a lidar com estes problemas, a Alimenta divulga o conhecimento e promove “a sensibilização para a as doenças do foro da alergia e intolerância alimentares, fomentando atividades do foro científico, formativo, educacional, cultural, recreativo, jurídico e comunitário”, diz Marlene Pequenão, vice-presidente da associação. A principal mensagem a transmitir é que “a alergia alimentar é uma condição clínica que deve ser encarada com muita seriedade” e, nesse âmbito, “todo o trabalho de sensibilização, formação e cooperação desenvolvido pela Alimenta, bem como, pelas outras associações de doentes é de grande importância.”

É que “uma simples ida às compras, comer fora, ou, para os mais pequenos, a frequência da escola – atos do quotidiano para as restantes pessoas – exigem cuidados especiais nos mais pequenos pormenores, como sejam ler e reler os rótulos dos alimentos, evitar a contaminação de utensílios e espaços ou a sensibilização dos cuidadores educativos para os sintomas, prevenção e tratamento”, diz Marlene Pequenão, salientando a grande importância de se perceber que “esta não é uma opção de vida.”

De facto, “as pessoas com intolerâncias e alergias alimentares não escolhem não comer os alimentos a que são alérgicos ou intolerantes. Não é uma dieta voluntária. Não é uma moda. Estas pessoas sofrem de patologias que os impedem parcial ou totalmente de sequer contactar com os alimentos proibidos, podendo esse contacto levar a consequências trágicas se não tiverem acesso imediato a tratamento.”

Combater o desconhecimento

Por outro lado, a associação tem também como objetivos, contribuir “para o bem-estar físico, emocional e social dos portadores destas doenças, das suas famílias e dos seus amigos.”

A principal dificuldade enfrentada pelas pessoas que sofrem de alergias e de intolerâncias alimentares “relaciona-se com o desconhecimento da sociedade em geral sobre estas questões, em específico sobre a diferença entre uma intolerância e uma alergia alimentar, e do potencial risco de vida que uma condição como a alergia alimentar pode acarretar”, refere a responsável da associação.

Quando há suspeitas da existência deste tipo de patologia, “o primeiro passo deverá ser sempre procurar ajuda médica” para que seja feito o diagnóstico.

E como é, sobretudo, pela educação que se constrói a melhor informação a Alimenta tem um projeto em calha: “a publicação de um livro destinado a crianças que constitua uma primeira abordagem, numa vertente positiva e inclusiva, a esta condição clínica”, conta Marlene Pequenão. Um projeto dirigido às crianças do ensino pré-escolar e do primeiro ciclo que, certamente, transitará para a próxima direção, já que a associação se encontra em fase de transição de corpos sociais.