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Amnistia Internacional mobiliza escolas portuguesas para a defesa dos Direitos Humanos

Mais de 300 escolas portuguesas vão participar na “Maratona de Cartas”, o maior evento de direitos humanos organizado pela Amnistia Internacional.

Há 20 anos, na Polónia, um grupo de ativistas realizou uma maratona de 24 horas para escrever sobre o desrespeito dos direitos humanos e a necessidade de os promover para um mundo mais justo. Escreveram apelos, cartas, petições e mensagens de solidariedade em defesa de pessoas vítimas de violência e de injustiça. Foi a primeira "Maratona de Cartas" transformada hoje no maior evento de direitos humanos organizado pela Amnistia Internacional.

Nos últimos meses de cada ano são mobilizadas milhões de pessoas em todo o mundo para assinarem petições a favor de pessoas e de comunidades em risco.

É uma iniciativa que também se estende a Portugal, nos próximos três meses. Até 31 de janeiro, mais de 300 escolas de todo o país vão participar na Maratona, uma oportunidade perfeita para abordar questões de direitos humanos em contexto escolar. “Os estudantes tornam-se multiplicadores de direitos humanos convidando todos os membros da comunidade escolar e local a agir em defesa dos direitos humanos de cinco pessoas específicas, cujos casos são emblemáticos em relação a diferentes violações de direitos humanos no mundo”, explica Matia Losego, diretor de Juventude e Educação para os Direitos Humanos da Amnistia Internacional Portugal.

A campanha deste ano canaliza o apoio para pessoas que viram os seus direitos violados devido ao seu ativismo pacífico, às suas opiniões ou a características pessoais, entre os quais, mulheres defensoras de direitos humanos, ativistas de direitos trans e artistas. Através da Maratona de Cartas receberão mensagens individuais de solidariedade provenientes de todo o mundo, ficando a saber que a sua situação está a ser divulgada.

Educação para os direitos humanos para combater a discriminação

A Maratona dispõe de recursos educativos específicos e conta ainda com um concurso entre escolas, também aberto a outras entidades.

A educação para os direitos humanos “como tática fundamental para combater a discriminação” é uma das vertentes do trabalho desenvolvido pela Amnistia Internacional em Portugal. Esta ação reparte-se pelas dez Escolas Amigas dos Direitos Humanos, comunidades onde os direitos humanos “se aprendem, ensinam, praticam, respeitam, se protegem e promovem.” As Escolas Amigas “são verdadeiros viveiros de jovens ativistas pois os estudantes continuam envolvidos com a Amnistia e com o ativismo para os direitos humanos mesmo depois de sair da escola”, segundo Matia Losego.

Este trabalho é realizado com recurso a manuais, vídeos, podcasts e peças artísticas. E ainda através da Academia Amnistia destinada à formação continua de docentes, no curso “Educar para a Igualdade”, bem como da formação profissional certificada para pessoas adultas em geral, já que “a educação para os direitos humanos é um direito para toda a gente, independentemente da idade”.

“Para além do trabalho com escolas atuamos também no setor da juventude e em contextos de educação entre pares com jovens entre os 14 e os 24 anos, através do Encontro de Jovens Ativistas, a Campanha Jovem RECONHECE – A saúde mental como direito humano e o MAPA, um espaço online para jovens ativistas da Amnistia” acrescenta Losego.

Vários outros temas estão sempre presentes na agenda de trabalho da Amnistia Internacional, como a proteção da liberdade de expressão, reunião e manifestação, foco da campanha global “Protege a Liberdade”, os problemas de desigualdades sociais e económicas e a justiça climática. Os direitos de pessoas refugiadas e migrantes, da comunidade LGBTI, o combate ao bullying e as questões de igualdade de género, são outros temas habitualmente abordados.