As ondas de calor são cada vez mais frequentes e mais intensas, com vários países do mundo a bater novos recordes de temperatura. Muitos especialistas apontam as alterações climáticas como a causa principal deste fenómeno.
O último mês de junho foi o mais quente desde que há registo na Europa Ocidental e as temperaturas teimam em não baixar.
Já no Japão, a 5 de agosto, a temperatura chegou aos 41,8ºC um novo recorde no país.
Notícias como estas não surpreendem, no entanto, olhando para os dados disponíveis, quem estuda o clima aponta uma mudança que parece inevitável a nível mundial.
"Estamos a assistir a ondas de calor cada vez mais frequentes, mais intensas e que ocorrem durante períodos mais longos do ano, pelo que o verão vai parecer mais longo”, aponta a especialista do Instituto de Sistemas Globais, Raphaelle Haywood.
“Em alguns locais, estamos a assistir a ondas de calor com temperaturas de 40ºC, 45ºC, quase 50ºC, provavelmente mais do que isso nos próximos 20 anos."
A causa principal, garantem os cientistas é uma e só uma: as alterações climáticas que o planeta enfrenta.
"As provas disso são esmagadoras. Não há dúvida alguma. Fizemos inúmeras observações. Temos observações, temos modelos. Tudo concorda, o consenso científico é esmagador e decisivo. E sabemos que, enquanto continuarmos a queimar combustíveis fósseis, vamos assistir a um aumento das temperaturas."
E sem alterações de fundo, adianta esta investigadora, a ameaça nunca vai desaparecer.
"Os seres humanos industrializam as sociedades e, nas sociedades industrializadas, queimamos carvão, petróleo e gás. E, ao queimarmos esses combustíveis fósseis, estamos a libertar dióxido de carbono para a atmosfera, e o dióxido de carbono é um gás de efeito estufa muito, muito potente. Isso significa basicamente que, quando o queimamos, quando o libertamos para a atmosfera, ele aquece a atmosfera."
Na Europa, as ondas de calor têm afetado sobretudo o sul do continente.
Em Portugal, no final de julho, o país registou mais 264 mortes do que o esperado.
Já em Espanha, as altas temperaturas podem ter provocado mais de mil mortes em todo o mês passado, um aumento de mais de 50% em relação ao mesmo período de 2024.