Um casal de idosos, ambos com 88 anos, morreu esta quinta-feira dentro da sua habitação inundada em Fernão Ferro, no concelho do Seixal, depois das fortes chuvas. Rui Pereira, presidente da Junta de Freguesia, reconhece que o problema das construções ilegais e da falta de drenagem agrava o risco de cheias e admite que a prevenção e comunicação com a população ainda são insuficientes.
"De facto, é de lamentar estas duas mortes, (...) por razões que ainda não se conseguiram apurar, a casa ficou inundada, a casa possivelmente também não seria construída nas melhores condições, porque Fernão Ferro cresceu muito da parte de génese ilegal, temos vindo ao longo dos anos a trabalhar e a conseguir que Fernão Ferro seja cada vez mais uma zona legalizada, Isso tem-se conseguido, mas ainda temos muitas habitações que não obedecem a esses critérios de segurança.
O autarca não avançou se esta era uma dessas habitações que não estava devidamente legalizada.
As inundações não são uma novidade em Fernão Ferro, a Nacional 3788 alaga constantemente.
"A freguesia fica praticamente isolada sempre que chove com intensidade. Temos de trabalhar para corrigir estas situações e também todas as outras que envolvem o mau funcionamento das estradas e das vias de comunicação".
O autarca considera que o agravamento das inundações também resulta da falta de manutenção: “Cada vez há menos limpeza nas valas, nos leitos das valas reais que existiam. Quando há muita chuva, elas entopem e a água tem de ir para algum lado - e vai para os pontos mais baixos".
Apesar dos avisos meteorológicos, Rui Pereira admite que as medidas de prevenção foram limitadas aos avisos e acautelar a queda de árvores mas reconhece falhas na informação à população mais idosa:
“Uma formação mais formalizada não a fizemos. Temos feito só pelos nossos canais, redes sociais e tudo isso, mas sabemos que não chegamos a todo o lado, porque nem toda a gente utiliza esses meios. Devíamos ter feito um pouco mais".