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Entrevista SIC Notícias

Proteção civil e prevenção: "O cidadão comum também tem de ter literacia de risco"

A morte de um casal de idosos em Fernão Ferro, no Seixal, expõe as falhas da prevenção em situações de risco. O especialista em Proteção Civil André Morais alerta para a falta de literacia de risco e defende uma resposta mais próxima das comunidades.

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Um casal de idosos, ambos com 88 anos, morreu esta quinta-feira dentro da sua habitação inundada em Fernão Ferro, no concelho do Seixal, depois das fortes chuvas. O especialista em Proteção Civil, André Morais fala da necessidade e da urgência da prevenção.

“A informação que nós geramos nem sempre é capacitação, ainda para mais para a população idosa, que muitas vezes não tem acesso a redes sociais e precisa de um apoio muito mais comunitário".

O especialista defende a criação de unidades locais de proteção civil nas freguesias, que possam informar e apoiar as populações mais vulneráveis.

“O patamar municipal de proteção civil tem de começar na freguesia. Estas unidades não têm de ter uma visão operacional, mas de informação, sensibilização e envolvimento de voluntários".

Morais considera que a proteção civil deve ser preventiva e não apenas reativa. A queda de árvores, carros danificados e inundações sucessivas mostram que falta ainda avaliar riscos e mudar comportamentos.

Mas também não podemos descurar aqui um papel importante, que é o cidadão comum. que têm a responsabilidade de perceber que estamos perante um evento meteorológico grave e que não deve expor os seus bens, os seus pertences a esta situação".

Com a chuva ainda intensa em vários distritos, André Morais diz que agora “é tempo de controlar danos”, garantindo o escoamento das águas e evitando deslocações desnecessárias e termina com um apelo:

“O paradigma tem de mudar. Temos de aproveitar estes momentos infelizes para mudar o ciclo e a nossa forma de pensar".