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Pyongyang renova ameaça de encerrar Kaesong e culpa Presidente da Coreia do Sul

A Coreia do Norte renovou hoje a ameaça de encerrar, a título permanente, o complexo industrial de Kaesong, justificando o ato com as políticas de "confrontação" da nova Presidente da Coreia do Sul, Park Geun-Hye.

© Kim Hong-Ji / Reuters

Pyongyang anunciou, no início desta semana, a retirada dos seus 53.000  trabalhadores que trabalham para as mais de 120 empresas sul-coreanas e  a suspensão das operações no parque industrial de Kaesong, único projeto  conjunto com Seul, que tem sido usado como 'peão' num jogo cada vez mais  perigoso entre Pyongyang, Seul e Washington. 

A Presidente sul-coreana, Park Geun-Hye, empossada no final de fevereiro,  considerou a ação "muito dececionante", advertindo a Coreia do Norte que  tal ação terá um grave impacto na confiança de futuros investidores. 

"Escusado será dizer que a zona industrial de Kaesong vai deixar de  existir se o regime de Park Geun-Hye continuar a prosseguir com a confrontação",  disse um porta-voz do gabinete central de orientação para o desenvolvimento  da zona especial do Norte, citado pela agência AFP. 

O mesmo responsável salientou que "o atual detentor do poder no Sul  nunca será capaz de sacudir a responsabilidade por ter Kaesong, que sobreviveu  até ao traidor Lee Myung-Bak, totalmente fechado". 

Durante a campanha presidencial, Park Geun-Hye afirmou que pretendia  adotar uma postura mais flexível no relacionamento com o Norte do que a  do seu antecessor, o qual manteve uma política de ?linha dura" relativamente  a Pyongyang. 

O porta-voz disse ainda que a postura belicista da Coreia do Sul é a  responsável pela decisão de suspender a atividade das 123 empresas que operam  atualmente no parque industrial de Kaesong, situado do lado norte-coreano,  a cerca de dez quilómetros da fronteira. 

As declarações do ministro da Defesa sul-coreano, Kim Kwan-Jin, sobre  a existência de um plano "militar" de contingência para garantir a segurança  dos seus trabalhadores no complexo terão provocado a ira no Norte, com Pyongyang  a 'irritar-se' também com a imprensa e analistas da Coreia do Sul, por considerarem  que o Norte não se atreveria a fechar o complexo. 

O parque de Kaesong, inaugurado em 2004, figura como o único projeto  de cooperação económica entre o Norte e o Sul, servindo como fonte crucial  de divisas para o Estado empobrecido da Coreia do Norte e reduzindo a dependência  de Pyongyang em relação à China.  

Kaesong foi escolhido para combinar a tecnologia e experiência da Coreia  do Sul com a gestão a baixo custo da Coreia do Norte e é uma zona teoricamente  desmilitarizada, mas fortemente armada e vigiada.  

O complexo tem um volume de negócios equivalente a cerca de 1,5 mil  milhões de euros, e tem funcionado sempre, apesar das repetidas crises entre  os dois países.