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Agência de Energia Atómica saúda progressos em Fukushima

Os peritos da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) saudaram hoje os esforços e progressos realizados na central acidentada de Fukushima, no Japão, mas sublinharam que a situação continuava a ser muito difícil.

© Suzanne Plunkett / Reuters

Um dos maiores problemas - a água radioativa acumulada no local - poderá  ser resolvido pela libertação no mar, assim que o nível de contaminação  atinja um valor aceitável, com base em estudos de impacto ambiental, disseram.

Dezanove peritos da agência da ONU encontram-se no Japão desde a semana  passada para examinar os meios usados pela companhia gestora da central,  a Tokyo Electric Power (TEPCO), e pelas autoridades para preparar o desmantelamento  das instalações destruídas pelo maremoto de 11 de março de 2011.  

"Foram realizados grandes progressos na estratégia (de gestão da situação)  e na distribuição dos recursos necessários para levar a bom porto o processo  de desmantelamento", declarou, em conferência de imprensa, em Tóquio, o  diretor da missão, Juan Carlos Lentijo.  

Antes, Lentijo tinha afirmado que "a situação continua a ser muito complexa  e que há ainda questões muito difíceis que devem ser resolvidas para conseguir  a estabilidade, a longo prazo, da central".  

A avaliação dos peritos debruçou-se, sobretudo, sobre a gestão da água  contaminada inflitrada na central, e sobre a operação de retirada dos depósitos  de combustível usado da piscina de desativação do reator quatro, uma tarefa  delicada que começou no mês passado e que decorreu, até agora, sem incidentes,  de acordo com a TEPCO.  

"No que se refere à quantidade crescente de água contaminada na central,  a TEPCO devia examinar todas as opções, incluindo a possibilidade de a lançar  ao mar no respeito dos limites de contaminação autorizados", indicou a AIEA,  em sintonia com opiniões de outros peritos e do presidente da Autoridade  de Regulação nuclear japonesa.  

Pescadores locais, países vizinhos e grupos ambientalistas são radicalmente  opostos a esta ideia.  

"Para considerar a opção de lançar esta água contaminada, a TEPCO devia  efetuar avaliações de segurança e de impacto ambiental", disse a AIEA. 

A TEPCO tem previsto mais que duplicar a capacidade de armazenamento  de água para 800 mil toneladas e alargar os processos de descontaminação  que, até ao momento, não se mostraram suficientemente satisfatórios.  

Na questão da água contaminada, o maior problema é a infiltração de  água contaminada, proveniente das piscinas dos reatores, através de fissuras  nas paredes, causadas pelo sismo de 11 de março, no subsolo da central.

A eventual libertação (de água contaminada) no oceano Pacífico ia exigir  a eliminação de césio e 62 outros elementos radioativos como trítio, atualmente  presentes na água armazenada num milhar de reservatórios.  

A missão, que considerou a contaminação marítima bem contida na zona  portuária da central e bem vigiada, vai redigir um relatório completo nos  próximos dois meses.  

O roteiro para o desmantelamento da central de Fukushima prevê um processo  ao longo de três a quatro décadas.