Washington parece encarrar com crescente preocupação a evolução da situação interna no Iraque, em particular a disfunção do sistema político, incapaz de preencher um vazio aproveitado pelos radicais sunitas do Estado islâmico (EI), que no último mês se apoderaram de importantes faixas territoriais no norte e leste do país.
As persistentes divergências implicaram hoje a suspensão de uma decisiva sessão parlamentar para iniciar a escolha de um novo governo até 12 de agosto, e que poderá implicar um adiamento do novo executivo após eleições gerais muito contestadas.
Na semana passada, os curdos iraquianos emitiram mais um sinal sobre a possível desagregação do país ao confirmarem os planos de um referendo sobre a independência, que contraria as esperanças de num governo federal unificado.
A Casa Branca admitiu hoje o seu desapontamento sobre os recentes desenvolvimentos, mas continuou a insistir que a única saída para o Iraque é política. O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse que o EI coloca o Iraque perante uma "ameaça existencial". "Para confrontar essa ameaça, o país necessita de estar unido", disse Earnest.
"Não penso que ninguém tenha minimizado (...) a dificuldade em aceitar este género de decisões e garantir este género de acordos. Mas para a sobrevivência do Iraque é necessário garantir esses acordos e decisões difíceis", assinalou.
Responsáveis oficiais norte-americanos têm sugerido que o primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki, acusado de exacerbar as tensões sectárias no país, deve abandonar o cargo.
O Presidente dos EUA, Barack Obama, decidiu enviar 300 conselheiros militares para o Iraque, e também admitiu a possibilidade de selecionar alvos para eventuais ataques aéreos norte-americanos.
No Iraque estão ainda estacionados 475 soldados dos EUA com a missão de protegerem a embaixada e os cidadãos norte-americanos de eventuais ataques.
Lusa
