A fonte adiantou que logo após a chegada ao Fogo José Maria Neves reúne-se com os presidentes dos três municípios foguenses - São Filipe, Mosteiros e Santa Catarina -, a que se seguirá um encontro com responsáveis da Proteção Civil, Cruz Vermelha, e dos ministérios da Saúde, Infraestruturas, Educação e Ambiente.
À tarde, o primeiro-ministro cabo-verdiano visita os centros de acolhimento dos desalojados, que são já cerca de 1.000, oriundos das diferentes localidades que se situam em Chã das Caldeiras, um planalto que "serve" de base aos diferentes cones vulcânicos na zona.
A visita de José Maria Neves acontece após o Governo ter criado um "gabinete de crise" para dar resposta aos estragos causados pela erupção e apoiar os desalojados de Chã das Caldeiras, como garantir o fornecimento dos serviços básicos, o abastecimento de água e energia, saneamento e assistência médica e medicamentosa.
A fonte adiantou ainda que, para evitar o isolamento de Chã das Caldeiras, o Governo vai mobilizar meios de comunicação, como telefones satélite e outros equipamentos, e de transporte para acudir a qualquer situação de emergência.
Por outro lado, indicou a fonte, o gabinete deverá divulgar "nas próximas horas" um "plano de ação imediata" para enfrentar os efeitos da que, até agora, provocou elevados danos materiais mas sem vítimas.
O voo especial em que José Maria Neves e respetiva delegação se deslocam ao Fogo é o primeiro a ser realizado desde segunda-feira de manhã, altura em que as autoridades aeronáuticas locais suspenderam indefinidamente as operações aéreas de e para o Fogo devido à elevada cortina de fumo e de cinzas na ilha.
Hoje, a companhia aérea cabo-verdiana TACV cancelou seis voos internos em São Vicente devido às condições meteorológicas decorrentes da erupção.
Em declarações à Rádio Nacional de Cabo Verde (RCV), o presidente dos TACV, Mário Paixão, indicou que as informações do Instituto de Meteorologia e Geofísica (INMG) cabo-verdiano e do Centro Aeroportuário de Toulouse (França), recolhidas pelos satélites meteorológicos às 06:00 locais (07:00 em Lisboa), confirmam a localização de cinzas vulcânicas "mas só na vizinhança imediata" do Fogo.
"Não há nuvens médias e altas na zona. Há nuvens de gases, de dióxido de enxofre abaixo dos 30 mil pés, a 280 milhas da ilha no sentido norte, onde se desviam para a direita, em direção à costa africana", explicou Mário Paixão.
Na zona do aeródromo de São Filipe, sublinhou, é "praticamente nula" a presença de cinzas e a visibilidade é "boa", permitindo ver até 10 quilómetros.
Já num comunicado, os TACV, lembrando o "alerta vermelho" lançado segunda-feira pela Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO, na sigla inglesa), adiantou hoje à tarde que os voos internos afetados serão retomados logo que a nuvem de poeira se dissipe, uma vez que "os riscos são altos", além de constituírem uma elevada probabilidade de acidentes.
"As cinzas vulcânicas são altamente corrosivas e podem afetar a segurança dos voos e dos aviões. A nuvem de poeira basáltica com partículas de enxofre, afetada por ventos para norte, dirige-se para as ilhas de São Vicente e São Nicolau", lê-se na nota.
Lusa
