Deputados portugueses pedem libertação de cristã paquistanesa condenada à morte
Uma delegação de cinco deputados portugueses entregou esta quinta-feira uma carta na residência da embaixadora do Paquistão em Lisboa, em que se apela à libertação de Asia Bibi, a cristã paquistanesa acusada de ter proferido blasfémia e condenada à morte.
As três filhas de Asia Bibi.
© Adrees Latif / Reuters
Após recordar que este caso "se arrasta há demasiado tempo", os signatários apelam para o fim definitivo do processo contra Asia Bibi, que seja "garantida a sua vida e liberdade", a proteção dos "direitos fundamentais" dos seus filhos e família, o combate eficaz "a toda a perseguição religiosa no Paquistão", e à revogação de lei penal da blasfémia, "vista internacionalmente como o pior instrumento de repressão religiosa" no Paquistão".
Asia Bibi foi condenada em 8 de novembro de 2010 à forca por um tribunal paquistanês após ser considerada culpada de insultos ao profeta Maomé, uma acusação que nega.
O texto -- entregue em mão pelos deputados José Ribeiro e Castro (CDS-PP), António Prôa (PSD), Carina Oliveira (PSD), Lídia Bulcão (PSD) e Raúl Almeida (CDS-PP) --, é assinado por 76 parlamentares do PSD, PS e CDS-PP e dirigido diretamente ao Presidente do Paquistão, Mamnoon Hussain, e ao primeiro-ministro Mian Nawaz Sharif.
A delegação parlamentar, que foi recebida na recebida na residência oficial da embaixadora do Paquistão, Leena Salim Moazzam, também se pronunciou sobre este tema, que na perspetiva dos signatários "representa um grave exemplo de intolerância religiosa contra as minorias cristãs".
Neste aspeto, o documento sublinha que a "lei da blasfémia" é "facilmente instrumentalizável para ajustes de contas pessoais e intoleráveis perseguições religiosas", e uma violação da declaração universal dos direitos humanos. A sentença de morte por enforcamento, recordam os signatários, foi confirmada recentemente em tribunal de recurso.
Caso seja aplicada a pena, Asia Bibi, 43 anos, será a primeira mulher a ser morta no Paquistão pela acusação de blasfémia.
Lusa
