Milhares de peruanos protestam pela terceira vez contra lei sobre trabalho juvenil
Cerca de 3.000 jovens saíram, esta segunda-feira, à rua, pela terceira vez, no Peru em protesto contra a lei laboral juvenil, reivindicando que seja derrogada por considerarem que reduz os seus direitos.
© Enrique Castro-Mendivil / Reu
Várias organizações estudantis, políticas e sociais convocaram uma concentração numa praça no centro da capital, Lima, onde se deu início a uma marcha rumo à sede da Confederação Nacional de Instituições Empresariais (Confiep), onde se manifestaram contra os dirigentes da maior associação empresarial do Peru que apoiam esta legislação.
Ao fim de duas horas de marcha, os manifestantes chegaram às imediações da Confiep, no centro empresarial do distrito de San Isidro, mas um cordão policial impediu-os de aceder ao local.
Agitando bandeiras peruanas, os manifestantes entoaram palavras de ordem como "Não à lei do regime laboral juvenil", exibindo cartazes com mensagens como "o capitalismo é a raiz da exploração" e "Ollanta traidor, os meus direitos respeitam-se".
Após alguns minutos perto da Confiep, a marcha regressou ao centro de Lima.
A nova lei de promoção do trabalho juvenil foi promulgada, este mês, pelo Presidente do Peru, Ollanta Humala, e é defendida com o argumento de que visa reduzir o desemprego jovem.
Contudo, muitos partidos políticos e organizações civis pediram que a legislação fosse derrogada, por considerarem que promove "o trabalho precário sem direitos nem benefícios".
A lei faz parte de um pacote de medidas aprovadas pelo Governo para reativar a economia e dirige-se à contratação de jovens entre os 18 e os 24 anos.
Esta lei, de cariz temporário, com um prazo máximo de vigência de cinco anos, prevê o pagamento do salário mínimo (256 dólares ou 208 euros), um dia de oito horas de trabalho, 15 dias de férias, seguro social de saúde e uma indemnização por despedimento sem justa causa.
Porém, não contempla, entre outros, o pagamento da compensação pelo tempo de serviço, gratificações anuais ou seguro de vida, constituindo os principais motivos de contestação.
O Presidente peruano criticou, esta segunda-feira, os deputados que inicialmente aprovaram a lei sobre o trabalho juvenil e que agora, após protestos massivos, pedem a sua derrogação.
Lusa
