A pesquisa começou por dar às mães e pais pistas sobre a melhor forma de brincarem e interagirem com os filhos. Terapeutas assistiam com os pais a vídeos gravados durante as brincadeiras em conjunto. A partir daí, iam dando indicações precisas sobre estratégias para melhorar a capacidade de comunicação dos filhos.
Este estudo incidiu, em particular, sobre casos de crianças com autismos severo, que muitas vezes são incapazes de comunicar com os próprios pais.
Louisa, uma das mães que participou na pesquisa, deu conta de uma enorme evolução por parte do filho, Frank.
"Ele adora observar os postes de eletricidade na nossa rua. Há uns anos, era uma longa observação silenciosa, mas agora ele não para de conversar comigo", contou Louisa. "Mamã, mamã, olha, estão a acender-se por outra ordem", relatou.
Os investigadores partiram de uma ideia muito simples: reforçar a parentalidade para aumentar as capacidades sociais da criança autista.
Catherine Aldred, uma das terapeutas que desenvolveu este estudo britânico, fez questão de sublinhar que não se trata de responsabilizar ou culpar os pais.
"Estamos a falar da interação entre pais e filhos, contribuindo para que alcance um 'super' nível. Estas crianças precisam de mais do que 'suficientemente bom', elas necessitam de algo excecional", explicou a investigadora, em entrevista à BBC.
Excecional significa trabalho árduo. Primeiro, foram feitos vídeos dos pais com os seus filhos, que podiam estar apenas sentados, a brincarem sozinhos. Aos poucos, foram dadas aos pais indicações sobre reações quase impercetíveis que os filhos poderiam ter enquanto brincavam sozinhos. Movimentos subtis que possam levar os pais a interagirem com os filhos.
Progressivamente, o conhecimento dessas pistas por parte dos pais contribuiu para que os filhos começassem a falar mais.
"Dicas como saber esperar, dar ao Frank todo o tempo para comunicar e comentar, em vez de lhe fazer perguntas, que o vão pressionar para que responda", explicou Louise.
A pesquisa publicada na revista The Lancet foi desenvolvida por investigadores de três centros especializados de Londres, Manchester e Newcastle. Foram observadas 152 famílias, a partir dos 3 anos de idade dos filhos, altura em que normalmente o autismo é diagnosticado. Habitualmente com o tempo os sintomas tendem a piorar.
No caso das famílias que seguem a terapia tradicional, regista-se 50% de casos de autismo severo e essa percentagem aumenta para 63% ao fim de 6 anos.
Nas famílias que receberam um treino específico e intensivo, 55% tinham crianças com autismo severo e 6 anos mais tarde essa percentagem passou para 46%.
Jonathan Green, da Universidade de Manchester, que liderou a investigação, considerou os resultados "extraordinários", mas explicou, contudo, que "não se trata de uma cura, no sentido em que as crianças que demonstraram melhorias continuam ainda a manifestar alguns sintomas".
O especialista sublinhou que esta pesquisa vem demonstrar que o trabalho com os pais contribui para melhorias a longo prazo.

