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"Vamos construir o muro!"

Muro simbólico e um "Trump piñata" num protesto na Cidade do México, no dia da tomada de posse.

© Edgard Garrido / Reuters

O Presidente norte-americano assina hoje o decreto que autoriza o início da construção do muro na fronteira com o México para impedir a imigração ilegal. Deverá assinar também um decreto que limita a imigração.

Cinco dias após a tomada de posse, o Presidente norte-americano cumpre a promessa eleitoral de construir um "enorme, poderoso e belo muro" na fronteira sul dos Estados Unidos - com três mil quilómetros de comprimento.

Segundo a agenda da Casa Branca, Trump desloca-se hoje ao Departamento da Segurança Interna para assinar uma série de medidas restritivas da imigração.

"Grande dia previsto para amanhã sobre SEGURANÇA NACIONAL. Entre outras coisas, vamos construir o muro!", publicou ontem no Twitter.

Trump apoia a sua decisão numa lei promulgada em 2006 pelo Presidente George W. Bush que autoriza a construção "de uma barreira física" na fronteira com o México. Nunca posta em prática, esta legislação não prevê limite de tempo pelo que pode servir de base legal, com a condição de um posterior reembolso.

Os republicanos estão convictos de que a margem de manobra dos democratas em contrariar este assunto é muito limitada, dado que conta com a adesão de uma grande parte da população e o bloqueio no Congresso poderia dar origem a uma paralisia do Governo, com grandes custos políticos para os democratas.

Presidente do México diz que não paga

Durante a campanha eleitoral, Trump avisou que as autoridades mexicanas iriam ressarcir os Estados Unidos pelos custos envolvidos na construção do muro fronteiriço. O custo total do projeto não está determinado mas deverá ascender a vários mil milhões de dólares.

"Disse que o México pagaria o muro, no entendimento de que o país iria reembolsar os Estados Unidos pelo custo total desse muro", disse então o magnata do imobiliário.

Durante a campanha, o Presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, convidou os dois candidatos presidenciais norte-americanos, Donald Trump e a democrata Hillary Clinton, a visitarem o país. Trump aceitou o convite e, nessa altura, garantiu que não discutiu com Peña Nieto qualquer questão sobre quem iria pagar o quê.

"Não discutimos o pagamento do muro, isso fica para uma data mais à frente", garantiu então.

Peña Nieto, por sua vez, escreveu na mesma altura no Twitter: "No início da conversa com Donald Trump, deixei claro que o México não vai pagar pelo muro". Posição várias vezes reiterada pelo Presidente mexicano.

"O México não acredita em muros", mas sim "em pontes", disse Peña Nieto no dia em que Trump assinou os documentos que põem fim à participação dos Estados Unidos no Tratado Transpacífico de Comércio Livre e anunciou a renegociação com o México e o Canadá o Acordo de Comércio Livre da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês),

"Vamos trabalhar por uma fronteira que nos una e não que nos divida", adiantou. Peña Nieto pediu ainda aos Estados Unidos para "garantirem um tratamento humano e respeitarem os direitos dos migrantes mexicanos".

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