O que é o Relógio do Apocalipse (Doomsday Clock, em inglês)?
Os minutos no relógio são uma metáfora para o quão vulnerável o mundo está de enfrentar uma catástrofe.
O engenho simbólico foi criado em 1947 pelo Boletim de Cientistas Atómicos (Bulletin of the Atomic Scientists, BPA, no original). O Boletim foi fundado na Universidade de Chicago por um grupo de cientistas de ajudou a desenvolver as primeiras armas atómicas.
Hoje em dia, o grupo inclui físicos e cientistas ambientais de todo o mundo e são eles que decidem o ajustamento do relógio, juntamente com um grupo de patrocinadores - que incluem 15 Prémios Nobel.
Porque é que foi adicionado meio minuto?
Nos últimos dois anos, o ponteiro do Relógio do Apocalipse ficou nos três minutos antes da hora. Contudo, o BPA diz que o perigo que um desastre global é ainda maior em 2017 e, deste modo, o ponteiro foi movido 30 segundos.
"Os comentários perturbadores de Donald Trump sobre o uso e a proliferação de armas nucleares, a descrença do novo Presidente dos EUA e da sua equipa nas alterações climáticas, afetaram a decisão da equipa. Assim como o crescente nacionalismo por todo o mundo", esta foi a explicação do grupo de cientistas, através de um comunicado publicado no seu site.
Como é que esta ameaça é comparada aos anos anteriores?
O relógio só esteve tão perto da meia-noite em 1953, quando apontou 23h58, devido aos testes de bombas de hidrogénio realizados naquela época pelos EUA e a então União Soviética.
O primeiro horário no Relógio do Fim do Mundo foi marcado em 1947 e registou sete minutos para a meia-noite, devido aos riscos inerentes à corrida nuclear após a 2.ª Guerra Mundial.
Em 2015 e 2016, o relógio marcou três minutos para a meia-noite e, os cientistas atribuíram o agravamento do quadro global ao aquecimento global e à ampliação e modernização das armas nucleares.
Em 1991, foi registado o tempo mais longo, com 17 minutos para a meia-noite, devido à assinatura do Tratado de Redução de Armas Estratégicas pela Rússia e pelos EUA.
"Diagnóstico de médico"
Contudo, o BPA destaca que o relógio não é uma ferramenta de previsão, mas sim um "diagnóstico de médico": são levados em conta dados, sintomas e circunstâncias dos riscos globais, o que vai gerar assim a determinação do "quadro clínico".
O Relógio do Apocalipse já foi reajustado 24 vezes e, a partir de 2007, o aquecimento global passou a ser levado em conta.
