Mundo

Erdogan pede aos alemães de origem turca para não votarem nos "inimigos da Turquia"

O Presidente turco Recep Tayyip Erdogan pediu esta quarta-feira aos alemães de origem turca, a que chamou "seus cidadãos", que não votem nos partidos "inimigos da Turquia" nas legislativas de 24 de setembro.

Erdogan pede aos alemães de origem turca para não votarem nos "inimigos da Turquia"
Muhammad Hamed

"Não nos interessa quem vence, mas digo aos meus cidadãos na Alemanha que, quando forem votar, não votem nos inimigos da Turquia. Eles sabem quem são", disse, num discurso a dirigentes locais do seu partido em Ancara. "Não digo que sejam nazis, mas o que se está a passar parece-se com o que se passou com os nazis", afirmou.

As declarações de Erdogan estão relacionadas com o debate sobre a atitude que a Alemanha deve ter com a Turquia, um assunto frequente na campanha eleitoral em que tanto a chanceler Angela Merkel como o candidato social-democrata Martin Schulz defendem o congelamento das negociações de adesão da Turquia à União Europeia (UE).

"Deitam-se e levantam-se a falar da Turquia e de Erdogan. Que lhes fez Erdogan? As eleições não são na Turquia, são na Alemanha, ocupem-se dos assuntos deles", disse o Presidente turco num discurso em Ancara, transmitido em direto pela televisão CNN Turk.

Embora nesta ocasião não tenha nomeado os partidos a que se referia, num discurso semelhante a 18 de agosto referiu a conservadora União Democrata-Cristã (CDU), o Partido Social-Democrata (SPD) e Os Verdes.Erdogan afirmou que a Alemanha está a tentar convencer a UE a suspender as negociações de adesão, sublinhando que a Europa continua sem cumprir a promessa feita em 1963.

Oficialmente lançadas em 2005, as negociações de adesão da Turquia estão num impasse devido à evolução da situação política no país, onde Erdogan é acusado de violações de princípios e direitos fundamentais como o da liberdade de expressão.

"Digam de uma vez o que querem e façam-no", disse o Presidente turco, assegurando que "a meta estratégica da Turquia é ser parte da UE e esse objetivo não foi abandonado".

As relações entre a Turquia e a Alemanha, dois aliados históricos com forte cooperação em matéria de migrações e de luta antiterrorista, degradaram-se depois da tentativa de golpe de Estado de 15 de julho de 2016 na Turquia.

Berlim tem criticado as detenções por "razões políticas", nomeadamente de 12 cidadãos alemães de origem turca, e Ancara acusa a Alemanha de proteger pessoas ligadas ao golpe falhado, nomeadamente concedendo asilo político a militares acusados de participação na revolta.

Por outro lado, nos meses que antecederam o referendo constitucional turco de 16 de abril, Erdogan acusou a Alemanha de "práticas nazis" pela proibição de comícios de ministros turcos em cidades alemãs.

Lusa