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Myanmar nega acesso à relatora especial do Conselho dos Direitos Humanos da ONU

Yanghee Lee, relatora especial do Conselho dos Direitos Humanos da ONU

Denis Balibouse

Myanmar negou o acesso ao país da relatora designada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para acompanhar a situação da minoria rohingya, que é objeto de grave perseguição, informou hoje a organização.

"O Governo de Myanmar informou à relatora especial Yanghee Lee que foi negado qualquer acesso ao país e cooperação durante o período do seu mandato", explicou o Conselho num comunicado.

Estava previsto que Yanghee Lee visitasse em janeiro o país para avaliar questões relativas aos direitos humanos em toda a Birmânia, incluindo os abusos perpetrados contra a minoria muçulmana rohingya no estado de Rakhine. A relatora, citada na nota, demonstrou a sua deceção pela atitude do governo Myanmar e disse que esta proibição "é um forte indício de que algo terrível está a ocorrer em Rakhine, assim como no resto do território".

Em diferentes fóruns e reuniões da ONU, o Governo de Myanmar prometeu que cooperaria com a organização, assim como como a missão da relatora especial. Entre as explicações dadas pelas autoridades birmanesas para vetar o acesso da relatora especial ao país estão as críticas que Yanghee Lee fez em julho sobre Myanmar.

A relatora disse que "havia uma relação de respeito mútuo", mas agora o Governo de Myanmar decidiu acusá-la de ter atuado com deslealdade e sem objetividade. Desde que assumiu a missão, Yanghee Lee visitou Myanmar seis vezes, mas nunca pôde deslocar-se livremente, porque as autoridades de Myanmar não autorizavam, alegando problemas de segurança.

"É uma vergonha que Myanmar tenha optado por este caminho. Eles sempre afirmaram que não têm nada a esconder, mas a sua negativa em cooperar com o meu mandato e com a missão de investigação indica o contrário", disse a relatora, mostrando alguma esperança de que as autoridades birmanesas possam mudar de opinião.

Mais de 650.000 membros desta comunidade minoritária fugiram para o Bangladesh, onde se encontram refugiados.

Esta fuga aconteceu devido à onda de violência que, segundo os Médicos Sem Fronteiras, provocou o assassínio de 6.700 rohingyas, incluindo 730 crianças menores de cinco anos, durante os primeiros 30 dias da crise, que começou a 25 de agosto.

Lusa

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