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Palestinianos saúdam votação da Assembleia-geral da ONU

Goran Tomasevic

Os palestinianos saudaram a votação desta quinta-feira na Assembleia-geral da ONU que aprovou, por uma larga maioria, uma resolução que condena o reconhecimento dos Estados Unidos de Jerusalém como capital de Israel.

"Esta decisão reafirma que a justa causa dos palestinianos é apoiada pelo Direito Internacional (...) Vamos continuar os nossos esforços na ONU e em outros fóruns internacionais para acabar com a ocupação (israelita) e criar um Estado palestiniano com a capital em Jerusalém oriental", afirmou o porta-voz do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas.

O porta-voz palestiniano falava momentos depois da divulgação dos resultados da votação na Assembleia-geral da ONU de uma resolução, sem caráter vinculativo, que foi proposta pelo Iémen e pela Turquia, em nome de um grupo de países árabes e da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), e que condena o reconhecimento dos Estados Unidos de Jerusalém como capital de Israel.

Também o embaixador palestiniano junto da ONU, Riyad Mansour, qualificou esta votação como um "revés arrasador" para Washington.

Um grupo de 128 países votou a favor da resolução, nove contra (Estados Unidos, Israel, Guatemala, Honduras, Togo, Micronésia, Nauru, Palau e as ilhas Marshall) e 35 optaram pela abstenção.

Entre os países que se abstiveram constam o Canadá, o México, a Argentina, mas também Estados-membros da União Europeia (UE), como foi o caso da Polónia, Hungria e da República Checa.

Com base nos números divulgados, a votação contou com a participação de 172 dos 193 países que integram a Assembleia-geral da ONU.

Nos últimos dias, os Estados Unidos exerceram uma forte pressão para travar a aprovação desta resolução.

Na quarta-feira, o Presidente dos Estados Unidos lançou um sério aviso aos países que tencionavam apoiar a resolução e ameaçou cortar a ajuda financeira atribuída por Washington.

"Vamos tomar nota dos votos", disse Donald Trump, em declarações na Casa Branca, em Washington.Nas mesmas declarações, Trump denunciou "todos os países que recebem o dinheiro dos Estados Unidos e que depois votam contra no Conselho de Segurança".

"Recebem centenas de milhões de dólares e até milhares de milhões de dólares (...) Deixe-os votar contra nós. Vamos poupar muito. Não nos importamos", reforçou na mesma ocasião o chefe de Estado norte-americano.

Esta votação na Assembleia-geral acontece depois de Washington ter recorrido, na segunda-feira, ao seu direito de veto no Conselho de Segurança para impedir a adoção de uma resolução que também condenava a decisão norte-americana.

Ao contrário do que se passa no Conselho de Segurança (os cinco membros permanentes do órgão têm direito de veto), na Assembleia-geral da ONU não há direito de veto e os textos adotados não são vinculativos.

Trump anunciou a 6 de dezembro que os Estados Unidos reconhecem Jerusalém como capital de Israel e que vão transferir a sua embaixada de Telavive para Jerusalém, contrariando a posição da ONU e dos países europeus, árabes e muçulmanos, assim como a linha diplomática seguida por Washington ao longo de décadas.

A questão de Jerusalém é uma das mais complicadas e delicadas do conflito israelo-palestiniano, um dos mais antigos do mundo.

Israel ocupa Jerusalém oriental desde 1967 e declarou, em 1980, toda a cidade de Jerusalém como a sua capital indivisa.

Os palestinianos querem fazer de Jerusalém oriental a capital de um desejado Estado palestiniano, coexistente em paz com Israel.Jerusalém é considerada uma cidade santa para cristãos, judeus e muçulmanos.

Lusa

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