Face ao afluxo recorde de eleitores, a votação foi prolongada em algumas assembleias de voto - para permitir que todos os cidadãos possam exercer o seu direito - noticiou hoje a televisão estatal húngara. As urnas fecharam oficialmente às 19:00 (18:00 em Lisboa).
"Não me interesso muito pela política, mas pensei que desta vez era importante ficar na fila por meia hora ou uma hora", explicou à agência AFP um jovem estudante de música, Aron, que esperava pela sua vez numa fileira de eleitores ao longo de 200 metros em Budapeste.
Uma vez que não haverá sondagens à boca das urnas, as primeiras projeções oficiais das eleições apenas serão conhecidas ao fim da noite. O gabinete eleitoral húngaro, o NVI, apenas dará os primeiros resultados a partir das 23:00 (22:00 em Lisboa).
Cerca de 7,9 milhões de húngaros foram chamados a votar hoje, nas 10.285 assembleias de voto criadas.
A taxa de participação na votação de hoje era, às 18:30 (17:30 em Lisboa) de 68,13%, uma percentagem oito pontos mais alta do que a participação total das eleições de 2014.
O partido nacionalista conservador Fidesz, de Viktor Orban, é o mais bem posicionado para ganhar, mas a forte taxa de participação pode comprometer as suas possibilidades de obter uma "supre-maioria" como em 2010 e 2014. Poderá mesmo descer para uma maioria relativa, o que seria um sério revés para a sua política, assente em propostas anti-migração.
Nos últimos dias antes das eleições, Orban e o seu governo intensificaram as mensagens populistas e alarmistas sobre alegados perigos de uma possível vaga migratória de muçulmanos rumo ao país. Ao mesmo tempo, um diário conotado com a oposição revelou nos últimos dias vários escândalos de corrupção que, alegadamente, envolvem pessoas próximas de Orban.
As sondagens dão ao Fidesz 45% das intenções de voto, seguidos da extrema-direita Jobbik, com 20%, e da coligação entre os sociais-democratas MSZP e o centro-esquerda Diálogo (Párbeszéd) com 19%.
O primeiro-ministro húngaro declarou hoje, ao depositar o seu voto, que "a União Europeia não está em Bruxelas".
"A UE está em Berlim, Budapeste, Praga e Bucareste", numa aparente referência aos choques que manteve com as instituições europeias nos últimos anos, devido, por exemplo, à reforma constitucional húngara.
"A alta participação é uma boa notícia para aqueles que querem mudanças, porque sabemos que são uma maioria e a grande questão é se iriam votar ou não", assegurou, por seu lado, o candidato da coligação de esquerda, Gergely Karácsony.
Segundo os analistas, uma participação alta poderia ser benéfica para os partidos da oposição, que fizeram tudo para mobilizar os seus apoiantes.
Os eleitores húngaros depositam hoje dois votos: um para os candidatos às 106 circunscrições do país e outro para as listas fechadas dos partidos, com o qual elegem outros 63 deputados do Parlamento húngaro, que, tal como o português, só tem uma câmara.
Às 106 circunscrições apresentaram-se quase 1.500 candidatos, em representação de 105 organizações e partidos, muitos deles locais.
Lusa

