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Regime sírio considera retirada de Capacetes Brancos como "operação criminosa"

Sultan Kitaz

As autoridades de Damasco classificaram esta segunda-feira a retirada de centenas de socorristas pertencentes aos Capacetes Brancos da Síria como uma "operação criminosa" israelita, noticia a agência oficial Sana.

"Não há palavras suficientes para exprimir a cólera de todos os sírios face a estas conspirações desprezíveis e do apoio ilimitado dado pelos países ocidentais, Israel e Jordânia aos Capacetes Brancos", disse uma fonte do ministério sírio dos Negócios Estrangeiros, citado por Sana.

"A operação criminosa liderada por Israel (...) mostrou a verdadeira natureza" dos Capacetes Brancos, acrescentou a mesma fonte, sublinhando que Damasco "já estava atenta aos perigos (dessa organização de socorristas voluntários) para a segurança e estabilidade do país e da região, devido à sua natureza terrorista".

Moscovo e Damasco acusam os socorristas de estarem ligados a grupos jihadistas e espalharem "mentiras" sobre as suas operações militares.

O ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov e o chefe do Estado-Maior russo, Valéri Guerassimov, vão estar esta segunda-feira em Israel para discutir o conflito na Síria, segundo o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

"Israel continuará a agir contra qualquer tentativa do Irão e seus aliados de estabelecer uma presença militar na Síria", frisou Netanyahu.

A Rússia é o principal aliado do regime de Bashar al-Assad, ao lado do Irão e do movimento libanês Hezbollah, dois inimigos de Israel.

Os Capacetes Brancos celebrizaram-se pelas suas operações de socorro na Síria, onde o conflito provocou mais de 350.000 mortos e danos consideráveis desde 2011 e chegaram a ser nomeados para o Nobel da Paz em 2016.

Um total de 422 Capacetes Brancos e seus familiares foram retirados no sábado à noite, de acordo com dados fornecidos pelas autoridades jordanas, embora as informações iniciais dessem conta da fuga de 800 pessoas que se encontravam em perigo de vida, devido ao avanço das tropas de Bashar al-Assad.

O grupo foi transferido de Israel para a Jordânia, onde poderá ficar até três meses, antes de seguir para o Reino Unido, Alemanha e Canadá, países que ofereceram acolhimento no domingo, segundo as autoridades de Amã.

França mostrou-se hoje também disponível para receber Capacetes Brancos sírios e suas famílias.

"Esta operação prevê a reinstalação em países terceiros. A França fará a sua parte no acolhimento dos "capacetes brancos" e suas famílias" e "continuar a mobilizar-se na defesa destas pessoas corajosas que arriscam a vida, dia após dia, para ajudar a população síria", anunciou o ministério francês dos Negócios Estrangeiros.

Lusa