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A “segunda vida” dos barcos de refugiados

Abid Ali nunca imaginou que, três anos depois de ter arriscado a sua vida num pequeno barco de borracha, estaria a dar uma segunda oportunidade ao objeto que o transportou para segurança. Do Paquistão à Europa, escapou aos conflitos e procura agora ajudar outros migrantes como ele.

A “segunda vida” dos barcos de refugiados
Hannibal Hanschke

No seu ateliê em Berlim, Abid mede e corta pedaços de borracha de um barco que deu à costa na Grécia. O que antes servia para transportar refugiados, transforma-se agora nas mãos do alfaiate em malas, mochilas e até sapatos.

Acessórios de moda que pretendem fazer a diferença. É esse o objetivo da Organização não-governamental (ONG) Mimycri, da qual Abid faz parte em conjunto com cinco outros voluntários. Em 2015, no mesmo ano em que decidiu procurar uma vida melhor, chegaram à Alemanha mais de um milhão de migrantes.

Foi também nessa altura que Nora e Vera tiveram a ideia de criar esta ONG. Voluntariavam-se na ilha de Chios, na Grécia, para ajudar os migrantes à chegada. E é para eles que continuam a trabalhar, criando empregos, permitindo-lhes “revelar os seus talentos” e “processar o desperdício de plástico que está nas praias da Grécia", contaram à agência Reuters.

“Não vemos apenas tragédia, vemos também oportunidades”, pode ler-se na página de Internet da organização.