As ativistas presas são Loujain al Hatloul, Iman al Nafyan e Aziza al Yusef, que figuravam numa lista de pelo menos 12 ativistas presas a 23 de maio, além de outras duas no final de julho.
A diretora de campanha para o Médio Oriente da Anistia Internacional, Samah Hadid, disse à agência de notícias EFE, por telefone, que a campanha de "repressão" levada a cabo pelo príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, é "realmente assustadora".
"Esta vaga de repressão reflete um padrão em que Governo saudita já não se importa com o quando ou onde, ou seja, se são nacionais ou internacionais, uma vez que irá perseguir todos aqueles que o critiquem", disse.
Em junho passado, a Procuradoria-Geral da Arábia Saudita reconheceu que nove ativistas presas em maio continuariam sob prisão por acusações relacionadas ao terrorismo.
Entre outras acusações, o grupo tem sido acusado de manter contatos com indivíduos e organizações "hostis" à Arábia Saudita e de ter recrutado funcionários para obter informações confidenciais e documentos para prejudicar os interesses do país.
A responsável da ONG disse que as mulheres detidas "não são terroristas, mas simplesmente defendem os direitos humanos, algo que é celebrado em todo o mundo" e criticou ainda os países europeus por "permanecerem em silêncio diante da repressão".
"A Europa não pode ficar em silêncio" ou "glorificar" as ações da Arábia Saudita, como o recente levantamento da proibição das mulheres conduzirem automóveis, já que é o mesmo país que "está a colocar atrás das grades aquelas que promoveram as campanhas" para acabar com esta proibição.
Samah Hadid sublinhou que Mohamed bin Salman "claramente não é um reformador" e isso fica demonstrado quando "prende as defensoras dos direitos humanos".
Da mesma forma, queixou-se que a comunidade internacional não defendeu o Canadá quando a Arábia Saudita rompeu relações diplomáticas com aquele país e impôs represálias económicas em resposta às críticas de Otava pela prisão da ativista saudita Samar Badawi, no final de julho.
"Escolheram (comunidade internacional) priorizar acordos comerciais e de segurança antes dos direitos humanos", lamentou a representante da AI.
Lusa
