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Ameaças não travam caravanas de migrantes a caminho dos EUA

Jorge Cabrera

Conhecida como a "Marcha dos Migrantes", esta é uma caminhada em busca de um futuro melhor. Milhares de migrantes da América Central abandonaram o seu país natal e enfrentam mais de dois mil quilómetros a pé. É uma caminhada que foge a um presente de miséria e violência de grupos armados. É uma caminhada com destino ao "sonho americano", mas até lá chegar, os migrantes enfrentam confrontos com as autoridades e um deles acabou por morrer. É uma caminhada que será barrada por Donald Trump, com os milhares de militares enviados para a fronteira com os Estados Unidos da América.

O início da marcha

Tudo começou com cerca de dois mil hondurenhos que saíram do seu país natal e começaram a caminhar em direção aos Estados Unidos da América, onde esperam encontrar asilo. À medida que avança, a "Marcha dos Migrantes" vai ganhando mais e mais pessoas, que deixam tudo para trás, em busca de uma vida melhor.

Não só a primeira caravana de migrantes aumenta, como também surgem novas, tanto a começar nas Honduras, como em El Salvador ou Guatemala. Neste momento, já existem quatro grupos diferentes na longa travessia do México.

Os migrantes caminham cerca de 50 quilómetros por dia, enfrentam temperaturas escaldantes, tomam banho nos rios e dormem no chão.

Segundo os números da Organização Internacional para as Migrações, mais de sete mil pessoas estão a caminho dos Estados Unidas da América, nestas caravanas.

"A caravana incluiu 7.233 pessoas, a maioria pretende continuar a sua viagem para o norte"

A declaração foi do porta-voz adjunto das Nações Unidas, Farhan Haq Aziz, que referiu ainda que os migrantes devem ser tratados com "respeito e dignidade", de acordo com a Lusa.

O percurso arriscado

Contudo, este não é um percurso fácil e mostrou-se muito complicado na passagem pela Guatemala, onde as autoridades nacionais reprimiram violentamente centenas de migrantes que derrubaram uma barreira de segurança na fronteira com o México.

Um migrante hondurenho acabou mesmo por morrer, depois de ser atingido na cabeça por uma bala de borracha.

No final do mês de outubro, centenas de migrantes das Honduras depararam-se com o bloqueio das autoridades da fronteira com o México, na ponte que separa os dois países.

Ueslei Marcelino

Perante a situação, os migrantes atiraram-se ao rio Suchiate, em Tecun Uman. Alguns apanharam jangadas feitas de câmaras-de-ar, outros lançaram-se a nada ou formaram uma corrente para não serem arrastados pela corrente.

Um impedimento chamado Donald Trump

As notícias que chegam de Washington não são animadoras. O Presidente norte-americano criticou o México, acusando o país de não deter as caravanas.

Donald Trump defendeu, no Twitter, que estes migrantes que tentam chegar aos Estados Unidos da América são "combatentes ferozes".

"Nós NÃO vamos deixar passar essas caravanas, que são também compostas por bandidos muito maus e membros de gangues. A nossa fronteira é sagrada, eles têm que entrar legalmente. DÊEM MEIA-VOLTA!"

Logo no início da marcha, o Presidente norte-americano ameaçou fechar a fronteira com o México, assim como anunciou o destacamento de mais de cinco mil soldados para se juntaram aos 2.100 membros da Guarda Nacional, nos postos fronteiriços. Aliás, esta semana, Trump admitiu mesmo enviar até 15 mil militares para o controlo fronteiriço.

Na quinta-feira, o Presidente norte-americano foi mais longe e declarou que disse aos militares destacados que se os migrantes lhes atirarem pedras, devem agir como se estas fossem "espingardas". Ou seja, deverão abrir fogo.

No entanto, Trump recuou esta sexta-feira em relação a declarações anteriores, afirmando que, se os migrantes atirarem pedras aos militares ou guardas fronteiriços norte-americanos, não serão alvejados a tiro, mas "serão detidos por muito tempo".

um discurso sobre a imigração, citado pela agência Lusa, Trump prometeu também emitir na próxima semana uma ordem executiva para proibir os migrantes de pedirem asilo se tiverem entrado ilegalmente nos Estados Unidos da América e criar grandes cidades feitas de tendas para reter todas as pessoas que atravessem a fronteira.

Donald Trump voltou até a ser acusado de racismo, depois de publicar um vídeo de propaganda, nas redes sociais, a visar hispânicos.

Apesar de todas as declarações e ações do Presidente Trump, os migrantes não desistem. Em entrevista aos jornalistas que estão a cobrir a marcha, os migrantes fazem apelos ao líder do Estados Unidos.

Os migrantes só deverão chegar à fronteira com os Estados Unidos da América daqui a duas semanas. À sua espera, terão os milhares de militares norte-americanos enviados por Donald Trump.