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Artista na origem do escândalo do Nobel da Literatura regressa a tribunal

Um tribunal de recurso de Estocolmo começou hoje o julgamento por violação contra o artista francês Jean-Claude Arnault, protagonista de um escândalo sexual e de fuga de informação, que desencadeou a crise da Academia Sueca e do Nobel da Literatura.

Arnault foi condenado no mês passado a dois anos de prisão e a pagar uma indemnização de 115 mil coroas suecas (mais de 11 mil euros), tendo sido considerado culpado de um dos casos de violação de que estava acusado, contra a mesma mulher, ambos cometidos em 2011.

O tribunal deu credibilidade aos testemunhos da queixosa e de sete testemunhas, incluindo um psiquiatra que a tratou, às quais relatou o episódio, num caso sem provas físicas.

A sentença estabeleceu a pena mínima a que Arnault poderia ser condenado, contra os três anos pedidos pela acusação e os seis fixados como pena máxima para este tipo de crime.

No novo julgamento, que durará até à próxima quarta-feira, a defesa de Arnault apresentará novas provas e chamará a depor novas testemunhas, incluindo a mulher do acusado, a poeta sueca Katarina Frostenson, membro da Academia Sueca, a instituição que atribui todos os anos o Prémio Nobel da Literatura.

O caso teve origem nas denúncias de abuso sexual feitas há um ano no principal diário sueco por 18 mulheres contra uma "personalidade cultural" muito próxima da academia, imediatamente identificada como Jean-Claude Arnault.

A notícia apontava que Arnault havia cometido abusos no seu clube literário e em propriedades da Academia.

Ao rebentar o escândalo, a instituição cortou relações com o artista e pediu uma auditoria, que concluiu que Arnault não tinha influenciado decisões sobre prémios e ajudas, embora o apoio económico dado pelo seu clube à academia viole as regras de imparcialidade, já que a sua mulher, membro da academia, era coproprietária do clube.

O "caso Arnault" abriu um conflito interno que, nos últimos meses, levou à demissão de cinco académicos e à saída temporal de quatro, do total de 18 pessoas que formam a instituição.

A Academia Sueca impulsionou várias reformas e adiou o Prémio Nobel de Literatura deste ano, pela primeira vez em sete décadas, o que significa que em 2019 serão atribuídos dois prémios, medida justificada pela falta de confiança e pelo enfraquecimento da instituição.

Jean Claude-Arnault, de 72 anos, está em prisão preventiva desde o fim de setembro, por ordem dos tribunais.

Lusa