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Rússia acusa 24 marinheiros ucranianos de travessia ilegal da fronteira

Pavel Rebrov

A Rússia acusou oficialmente de travessia ilegal da sua fronteira os 24 marinheiros ucranianos detidos pela guarda costeira russa no Mar Negro no passado dia 25 de novembro, anunciou esta segunda-feira o advogado de um dos detidos.

"A acusação foi apresentada a todos os detidos no dia 27 de novembro", disse à agência russa Interfax o advogado Nikolái Polozoz, acrescentando que não pôde, até ao momento, falar com o seu cliente.

Os 24 marinheiros ucranianos foram levados para Moscovo, para a prisão de alta segurança de Lefórtovo, depois de um tribunal da Crimeia os condenar a prisão preventiva até 25 de dezembro, medida cautelar que foi alvo de recurso em instâncias judiciais superiores.

"Não sei se algum dos detidos se declarou culpado. Confio que hoje poderei visitar o meu cliente na prisão de Lefórtovo", disse ainda o advogado.

O código penal russo pune com penas até seis anos de prisão a travessia ilegal da fronteira em grupo, com a posse de armas e ameaça do seu uso, delito pelo qual os marinheiros ucranianos são acusados.

A Ucrânia qualificou o ocorrido como um ato de agressão e denunciou que o apresamento dos seus três barcos ocorreu em águas internacionais do Mar Negro.

O Presidente ucraniano, Petro Porochenko, introduziu a lei marcial por 30 dias na maioria do território ucraniano e afirmou esta segunda-feira que os reservistas vão ser chamados para treinos no âmbito da lei marcial.

Outras unidades militares vão ser redistribuídas para reforçar as defesas do país. As relações entre os dois países pioraram desde o incidente do passado dia 25 de novembro em que a Rússia disparou contra três barcos e as suas tripulações para depois apreendê-los.

A Ucrânia e a Rússia culpam-se mutuamente pelo incidente naval que reavivou a disputa iniciada em 2014 quando a Rússia anexou a Península da Crimeia e apoiou os rebeldes separatistas do Leste da Ucrânia.

Os países ocidentais condenaram a atuação da Rússia no incidente naval, o que levou o Presidente norte-americano, Donald Trump, a cancelar a reunião que tinha combinada com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, à margem da cimeira do G20 em Buenos Aires.

Lusa