Mundo

Venda de coletes amarelos no Egito controlada pela polícia

A venda de coletes já não é possível sem autorização, revelaram fornecedores.

As autoridades egípcias restringiram a venda de coletes amarelos, símbolo do movimento social de protesto em França, que vai ficar submetida ao controlo da polícia no Egito, indicaram esta terça-feira diversos comerciantes.

Cinco fornecedores cairotas afirmaram à agência noticiosa AFP que a venda de coletes já não é possível sem autorização. De acordo com um dos comerciantes, "é necessária uma autorização da esquadra da polícia [do bairro] para vender coletes amarelos".

O proprietário de outro pequeno estabelecimento aceitou vender discretamente um colete amarelo, mas avisou: "Esconda-o depressa! Vender estes coletes tornou-se mais perigoso que vender droga".

"Responsáveis da segurança nacional apareceram e pediram para não vendermos coletes amarelos", afirmou um terceiro comerciante, que acrescentou: "Têm medo do contágio após as manifestações em França".

Ainda de acordo com um dos importadores que requereu anonimato, "na semana passada" foi dada ordem às empresas importadoras para apenas fornecerem empresas e não os comerciantes que vendem a particulares.

Em paralelo, a justiça egípcia ordenou hoje a detenção por 15 dias de Mohamed Ramadan, um advogado conhecido pelas suas posições em defesa dos direitos humanos, designadamente por "ameaça à segurança".

Este advogado, detido na segunda-feira em Alexandria (norte), terá publicado na rede social Facebook uma morada onde os habitantes da cidade poderiam obter coletes amarelos, declarou a sua advogada, Abdelrahman al-Gohary.

Provenientes na sua maioria das classes populares e classe média, os "coletes amarelos", uma designação motivada pelo colete fluorescente obrigatório para cada automobilista, iniciaram há várias semanas amplos protestos contra a política fiscal e social do Presidente francês Emmanuel Macron.

No Egito, as manifestações são sujeitas a prévia autorização policial. As restrições sobre a venda de coletes amarelos ocorrem a poucas semanas do 8.º aniversário da revolta de janeiro de 2011 que derrubou o regime do Presidente Hosni Mubarak após manifestações de massas. As autoridades egípcias receiam que nessa ocasião se registem manifestações não autorizadas e incidentes nas ruas.

As autoridades egípcias desencadearam uma campanha de repressão contra a Irmandade Muçulmana após o derrube do Presidente Mohamed Morsi em junho de 2013, proveniente desta confraria declarada "organização terrorista" no Egito.

A repressão atingiu de seguida os militantes políticos de todas as tendências, e o silenciamento quase generalizado da oposição ao regime do Presidente Abdel Fattah al-Sisi.

Lusa