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Bolsonaro promete ao Governo italiano extradição de Battisti

Cesare Battisti foi condenado a prisão perpétua pela justiça italiana e está acusado de quatro homicídios.

O Presidente eleito no Brasil, Jair Bolsonaro, disse esta sexta-feira ao ministro do Interior italiano, Matthew Salvini, que pode contar com a extradição de Cesare Battisti, condenado em Itália por quatro assassinatos.

O futuro Presidente brasileiro utilizou a rede Twitter, para se dirijir ao politico italiano, referindo-se também à governação anterior do Partido dos Trabalhadores (PT).

Bolsonaro, político de extrema-direita e capitão da reserva do Exército, respondia a uma publicação de Salvini, na qual o governante italiano disse que Battisti "é um condenado a prisão perpétua que está a gozar a vida nas praias do Brasil na cara das vítimas".

"Todo o meu respeito ao Presidente Jair Bolsonaro se ele ajudar a Itália a ter Justiça dando a Battisti um futuro na prisão", acrescentou o ministro italiano.

Na última quinta-feira, o juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil Luiz Fux determinou a prisão de Battisti, acatando um pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para "evitar o risco de fuga" e garantir a eventual transferência dele para a Itália.

Battisti mora no Brasil e tem casa em Cananéia, uma cidade no litoral do estado de São Paulo.

A sua extradição foi vetada pelo ex-Presidente Lula da Silva (PT), entretanto preso por corrupção, no último dia de seu mandato em 2010, mas Bolsonaro, um anti-comunista declarado, anunciou que iria trabalhar para revogar a medida.

Quem é Battisti?

Battisti foi membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), um braço das Brigadas Vermelhas. Em 1993 acabou condenado à revelia à prisão perpétua por vários assassínios cometidos entre 1977 e 1979, o que ele nega.

Fugiu para França e, em 2004, quando este país estava prestes a revogar o seu estatuto de refugiado político, viajou para o Brasil, onde permaneceu escondido por três anos.

A sua fuga terminou no Rio de Janeiro em março de 2007, quando foi preso numa operação conjunta de agentes do Brasil, Itália e França.

O STF autorizou a sua extradição em 2009 numa decisão não vinculativa, que deixou a decisão final nas mãos do ex-Presidente Lula da Silva, que a rejeitou no dia 31 de dezembro de 2010, último dia do seu mandato.

Em abril deste ano, a Justiça arquivou a última queixa contra Battisti, que durante a sua estada no Brasil, após a decisão de Lula da Silva, foi alvo de dois processos: um sobre fuga de capitais iniciado quando tentou atravessar a fronteira do Brasil com a Bolívia em outubro de 2017 com 25.000 reais (cerca de 5.600 euros) e outro iniciado em abril do ano passado por ter declarado um endereço falso num documento público.

Com Lusa