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Relatório do Senado dos EUA revela que Rússia continua a manipular informação

O relatório revela que a operação de interferência russa nas eleições presidenciais de 2016 teve uma amplitude muito maior do que se julgava.

O Senado dos EUA vai divulgar hoje um relatório que demonstra que a Rússia continua envolvida em operações de manipulação informativa nas redes sociais digitais, que foram ativadas para influenciar as eleições presidenciais de 2016.

O relatório, organizado pela empresa de segurança New Knowledge a pedido do Senado dos EUA, revela que a operação de interferência russa nas eleições presidenciais de 2016 teve uma amplitude muito maior do que se julgava, procurou beneficiar o Partido Republicano de Donald Trump e prejudicar a candidata Democrata Hillary Clinton, serviu-se em grande parte da rede Instagram e ainda continua ativa.

A New Knowledge recorreu a dados fornecidos pelo Senado, contendo informações das principais empresas de tecnologia, como Facebook, Twitter e Alphabet (a empresa mãe da Google), e é a primeira análise consistente conhecida sobre a interferência russa nas plataformas de redes sociais digitais.

O relatório, a que a agência Associated Press teve acesso, diz que muitas das contas controladas pela Rússia e usadas durante a campanha presidencial de 2016 para condicionar o comportamento dos eleitores ainda estão 'online', embora tenham uma atividade mais reduzida.

"Com alguns dos objetivos do Governo russo já atingidos (...) é previsível que os Estados Unidos continuem a enfrentar interferências da Rússia", diz o relatório.

Segundo o jornal Washington Post, que também teve acesso ao documento, as mensagens divulgadas por essas contas nas redes sociais tinham um propósito político claro, procurando beneficiar o Partido Republicano e, especificamente, Donald Trump", bem como denegrir a imagem da candidata Democrata Hillary Clinton.

O estudo mostra a enorme dimensão da ação de manipulação informativa através da rede Instragram (uma rede prioritariamente de mensagens visuais), que é detida pela empresa Facebook.

Segundo os investigadores, como a atenção sobre a manipulação informativa estava muito dirigida para o Twitter e para o Facebook, os russos terão transitado grande parte da sua atividade para o Instagram, onde poderiam atuar com mais discrição.

De acordo com o relatório, houve 187 milhões de conexões com utilizadores no Instragram, contra 77 milhões no Facebook.

"O Instagram foi uma frente significativa na operação de influência, algo que os executivos do Facebook parecem ter evitado mencionar nas audiências no Congresso", escreveram os investigadores.

O relatório também diz que a operação russa foi muito para além da instrumentalização das empresas de tecnologia (Twitter, Instagram, Facebook), tendo-se servido de outras plataformas de menor dimensão.

Entre estas plataformas encontram-se 'sites' de jogos de vídeo, aplicativos de música e extensões de programas de navegação na Internet.

Os russos chegaram a usar as redes sociais para incentivar os utilizadores do jogo Pokemon Go - que estava no auge da popularidade nos meses que antecederam a eleição presidencial de 2016 - a usar nomes de utilizadores politicamente controversos.

O relatório revela ainda formas não convencionais de manipulação, como a venda de produtos em mensagens publicitárias, pedidos específicos de seguidores e até ofertas de emprego, para quem estivesse disponível para revelar informações confidenciais que pudessem ser usadas em contexto político.

As tentativas do governo russo de tentar influenciar os eleitores americanos nas redes sociais tornaram-se públicas no outono de 2017.

Nos últimos meses, o procurador especial Robert Mueller tem investigado a possibilidade de o Presidente Donald Trump ter tido conhecimento e participado nestas ações de manipulação nas plataformas digitais, tendo já ligado 13 pessoas a este processo.

Donald Trump tem recusado todas as suspeitas de envolvimento neste caso, dizendo que "nunca houve conluio" da sua candidatura com o governo russo, para tentar manipular a informação durante a campanha presidencial.

Lusa