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Jesuítas da Pensilvânia publicam lista com nomes de padres ligados a abusos

A organização publicou uma lista no seu site, onde aparecem os nomes de 19 religiosos que supostamente cometeram os abusos.

Os jesuítas do Estado de Maryland, nos Estados Unidos, publicaram os nomes de 19 religiosos alegadamente implicados em abusos de menores, num novo episodio de escândalos da igreja norte-americana."

A Província de Maryland da Companhia de Jesus está a publicar os nomes dos jesuítas da nossa província, e outros jesuítas que serviram a província, acusados de forma credível por abusos sexuais a menores desde 1950", disse esta instituição num comunicado divulgado na segunda-feira na sua página na internet.

A organização publicou uma lista no seu site, onde aparecem os nomes de 19 religiosos que supostamente cometeram os abusos, alguns deles falecidos, e cinco suspeitos de terem perpetrado tais atos.

Cinco deles, com "um delito credível contra um menor", foram "retirados do seu ministério" entre 1996 e 2011, e atualmente residem num "ambiente restrito", explica a organização.

O último caso de abuso registado pela instituição remonta a 2002, enquanto os restantes são de décadas atrás.

A maioria dos abusos ocorreu nos estados de Maryland, Pensilvânia, Geórgia, Nova Iorque, Massachusetts e Nova Jersey, entre outros e muitos dos acusados trabalhavam em escolas.

Numa das listas aparece o padre da Congregação Jesuíta do Chile Jaime Guzmán, que trabalhou na Pensilvânia e na Carolina do Norte entre 2004 e 2018.

O nome de Guzmán está referenciado juntamente com outros quatro jesuítas de outras congregações que foram publicamente nomeados por "outras províncias ou arquidioceses por alegados abusos (...) que ocorreram fora da Província de Maryland". Segundo a organização, os jesuítas foram notificados ou investigados pela Província de Maryland.

Os jesuítas de Maryland detalharam que decidiram divulgar essa informação agora porque "as revelações recentes sobre abuso sexual infantil por padres "estão a levar o povo de Deus a desejar, com razão, maior responsabilidade por parte da liderança da Igreja".

"Publicamos essas informações para fornecer esse tipo de transparência, vemos esta publicação como parte de nosso compromisso para evitar abusos e esperamos que contribua para o processo de restauração da verdade", garante a congregação.

A instituição assegurou que, assim que recebe a notificação de algum abuso alegado, comunica-o às autoridades de segurança e, ao mesmo tempo, abre investigações internas.

Por outro lado, a pessoa envolvida é separada de suas funções até à conclusão da investigação, enquanto são oferecidos "serviços pastorais e terapêuticos às vítimas".

Se as acusações forem consideradas verdadeiras, o jesuíta acusado é separado do "ministério público e vive num ambiente estritamente supervisionado, não associado a nenhuma instituição jesuíta", disse a organização.

A Província de Maryland da Companhia de Jesus salientou que tem uma "política de tolerância zero" e assegura que tem adotando protocolos desde 2003 para evitar esse tipo de casos.

Nos últimos meses, os escândalos de abuso infantil atingiram a Igreja Católica nos Estados Unidos.

Em agosto, foi publicado um relatório do grande júri da Pensilvânia documentando 300 casos de "padres predadores" sexuais em seis dioceses, depois de investigar alegações de abuso infantil e estimar mais de mil vítimas.

O papa Francisco aceitou em 12 de outubro a renúncia do cardeal Donald Wuerl como arcebispo de Washington entre acusações de ter encoberto abusos.

A 15 de outubro, a arquidiocese da capital publicou uma lista com 31 nomes de antigos sacerdotes que supostamente perpetraram abusos sexuais contra menos, dos quais 28 estavam ligados a esta instituição.

Dos 31 padres que apareceram na lista, 17 já morreram.

Lusa