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Piratas informáticos revelam comunicações diplomáticas da UE

Kacper Pempel

A informação foi avançada pelo jornal The New York Times.

Piratas informáticos infiltraram comunicações diplomáticas da União Europeia durante anos, descarregando informação que agora está a ser tornada pública, segundo o jornal The New York Times.

Comunicações diplomáticas pirateadas por 'hackers' revelam que a União Europeia está preocupada com a "imprevisibilidade" da administração Trump, nos EUA, com as difíceis relações com a China e com a Rússia e com os perigos do projeto nuclear do Irão, segundo revelações feitas esta quarta-feira pelo jornal The New York Times.

Bruxelas já lançou uma investigação a infiltrações de piratas informáticos às redes de comunicações diplomáticas da União Europeia, depois de terem sido reveladas milhares de informações por eles descarregadas, a partir de uma ação de 'hacking' que funcionou durante vários anos.

Uma fonte da Comissão Europeia disse ao The New York Times que sabia da infiltração e que está "ativamente a investigar o assunto".

Os piratas terão tido acesso a comunicações diplomáticas durante vários anos, tendo agora colocado a informação à disposição num 'site' de acesso aberto, de acordo com a empresa Area 1, que revelou a infiltração dos piratas informáticos.

Estas revelações assemelham-se em vários pontos à publicação de informações da WikiLeaks, em 2010, com a disseminação de milhares de comunicações da rede diplomática da União Europeia, mas também de algumas redes associadas às Nações Unidas.

Numa dessas comunicações, diplomatas europeus revelam a sua preocupação perante a possibilidade de a Rússia ter colocado armas nucleares na Crimeia, zona considerada "de alto risco" pela União Europeia.

Uma outra comunicação mostra o Presidente da China, Xi Jinping, a referir-se à estratégia do Presidente dos EUA, Donald Trump, com os chineses como "um jogo de boxe em que não há regras".

Na rede diplomática pirateada surgem ainda revelações sobre as preocupações da União Europeia sobre o difícil relacionamento com a Rússia, bem como dificuldades com as relações comerciais com a China.

Lusa