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Mais de 760 migrantes morreram em 2018 a tentar alcançar costas espanholas

Jon Nazca

Em 2017, morreram no Mediterrâneo 3.139 pessoas.

Pelo menos 769 migrantes morreram este ano quando tentavam chegar, por mar, às costas de Espanha, país que em 2018 se tornou na principal rota marítima para a Europa, indicou esta quinta-feira a Comissão Espanhola de Ajuda ao Refugiado (CEAR).

Na análise dos principais dados migratórios de 2018, a CEAR salientou que Espanha registou no corrente ano 56.480 chegadas às suas costas e que o número de vítimas mortais contabilizadas no mesmo período é o mais alto dos últimos 12 anos.

Dados que demonstram, segundo a entidade, que "a solução não é fazer acordos com países que não respeitam os direitos humanos, porque quando uma rota se fecha, outra rota se abre".

A poucos dias do fim do ano, esta organização não-governamental (ONG) espanhola indicou que, em termos globais, mais de 118 mil migrantes chegaram por via marítima à Europa e que 2.241 pessoas morreram durante a travessia.

Estes dados revelam um decréscimo acentuado face aos anos anteriores.

Em 2017, um total de 172.301 migrantes chegou por mar ao espaço da União Europeia (UE), número que em 2016 foi mais expressivo, 362.753 pessoas, e em 2015 ainda mais significativo, com o registo de mais de um milhão de pessoas.

O mesmo aconteceu com as mortes registadas. Em 2017 morreram no Mediterrâneo 3.139 pessoas, em 2016 cerca de 5.096 e em 2015 foram registadas 3.771 vítimas mortais.

Embora muitas das decisões relacionadas com as políticas migratórias sejam condicionadas por resoluções assumidas pelos outros países parceiros da UE, a CEAR defendeu que as autoridades espanholas deveriam liderar "uma nova forma de fazer política migratória real, com base nos direitos das pessoas, e não só com base em políticas de controlo de fronteiras".

Espanha tornou-se em junho passado a principal porta marítima para a Europa para migrantes e refugiados, quando ultrapassou mais de 20 mil chegadas, segundo a organização.

Esta situação deveu-se, em grande parte, ao facto das entradas via Itália e Grécia terem caído significativamente, recordou a CEAR, lamentando que tal situação consiga gerar em muitas ocasiões "uma sensação de alarme injustificada".

Nesse sentido, a ONG espanhola apelou ao sentido de responsabilidade dos partidos políticos, defendendo o abandono dos "discursos de ódio e de medo" em relação ao migrante que "só conduzem a uma sociedade mais individualista e insocial".

Lusa

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