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Preocupações com economia dos EUA aumentam sem parar

Várias más notícias provocaram uma descida acentuada dos índices em Wall Street.

As preocupações com a economia dos EUA não param de aumentar, perante os sinais de alarme na Apple, um setor industrial a arrastar os pés e o medo no mercado bolsista.

Várias más notícias provocaram uma descida acentuada dos índices em Wall Street, depois de um estado de hiper instabilidade nos últimos três meses, o que acentua a questão de saber se o ritmo de crescimento da economia norte-americana já atingiu o seu máximo, a que se seguiria uma nítida perda de velocidade.

Na quarta-feira à noite, o dirigente da Apple, Tim Cook, agravou o ambiente económico-empresarial norte-americano, ao anunciar que as vendas deste gigante da tecnologia não iriam ser tão boas quanto previsto e reduziu as previsões que já tinham sido consideradas tímidas.

Responsabilizou o arrefecimento da economia internacional e a valorização do dólar pelos problemas nas vendas dos iPhones, em particular na China, mas apontou sobretudo a guerra comercial promovida pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, contra Pequim, o que agrava as incertezas dos consumidores chineses.

"Pensamos que o ambiente económico na China já foi mais prejudicado pela subida das tensões comerciais com os EUA", afirmou Tim Cook, inquieto com a descida da frequência dos distribuidores de iPhones neste país.

Sem surpresa, este mau presságio afundou Wall Street na zona de perdas.

E os mercados norte-americanos ainda agravaram as perdas depois da publicação de um indicador relevante, que ensombrou as perspetivas da indústria nos EUA.

O índice ISM industrial registou em dezembro a sua queda mensal mais forte desde a crise financeira de 2008, recuando 5,2 pontos percentuais, em relação a novembro, para 54,1%.

Apesar da atividade deste setor, caro ao governo Trump, que continua a promover o slogan 'Feito na América', ainda progrida, trata-se da progressão mais fraca desde há dois anos.

"A atividade industrial diminuiu mais do que previsto em dezembro", comentou Gregory Daco, da Oxford Economics.

"Já se esperava uma diminuição gradual deste setor, dados os ventos contrários que representam as incertezas associadas ao comércio [internacional] , ao fim do estímulo das descidas de impostos, do enfraquecimento da atividade mundial, mas os riscos de uma desaceleração mais rápida aumentaram", preveniu Daco.

Perante o arrefecimento no mercado bolsista, que Trump qualificou na quarta-feira como um "pequeno incidente", prometendo a recuperação quando chegar a acordo com os chineses, um dos seus conselheiros económicos, Kevin Hassett, colocou hoje a pressão sobre Pequim.

Referindo-se aos avisos sobre os resultados da Apple, avançou na estação televisiva CNN uma explicação que arrisca não tranquilizar os investidores: "Não é só a Apple. Existem várias empresas que vendem na China e que vão ver os seus resultados piorar (...) até que se chegue a acordo" com Pequim.

"Isto coloca muita pressão sobre a China para concluir um acordo", garantiu, mencionando mesmo a possibilidade de uma "recessão" para a segunda economia mundial.

Washington e Pequim estão em pleno braço de ferro comercial, aplicando-se direitos alfandegários punitivos, no montante de milhares de milhões de dólares.

Uma trégua na escalada das represálias foi decidida pelo governo de Donald Trump até 02 de março, para dar espaço à realização de negociações, que estão em curso.

Para o economista Chris Low, da FTN Financial, os sinais de travagem da economia dos EUA devem ser tidos em conta pela Reserva Federal (Fed) na gestão das taxas de juro.

"O enfraquecimento do setor industrial, a fraqueza dos principais componentes (da economia), como a carteira de encomendas, associados a uma perda de vigor da economia internacional ainda mais acentuada e à queda das bases da inflação apontam para uma pausa na subida das taxas de juro" norte-americanas, disse.

A Fed tornou a subir as taxas de juro em dezembro, para irritação de Trump, que não pára de criticar o encarecimento do crédito. A instituição prevê pelo menos duas novas subidas em 2019.

Lusa

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