Mundo

Papa preocupado com ressurgimento de tendências populistas e nacionalistas

Alessandro Bianchi

Declarações durante um discurso dirigido ao corpo diplomático credenciado no Vaticano.

O papa expressou hoje a sua preocupação com o ressurgimento de tendências populistas e nacionalistas nas relações internacionais, algumas das quais "evocam o período entre guerras", num discurso dirigido ao corpo diplomático credenciado no Vaticano.

"A comunidade internacional e o sistema multilateral no seu conjunto estão a passar por tempos difíceis com o ressurgimento de tendências nacionalistas que minam a vocação das organizações internacionais de serem um espaço de diálogo e encontro para todos os países", afirmou Francisco.

"Algumas dessas atitudes evocam o período entre guerras, no qual tendências populistas e nacionalistas prevaleceram sobre a ação da Liga das Nações", acrescentou.

Francisco observou que "o reaparecimento de correntes semelhantes está progressivamente a enfraquecer o sistema multilateral".

O papa disse estar preocupado com "o ressurgimento da tendência de fazer prevalecer e perseguir os interesses de cada nação sem recorrer aos instrumentos que o direito internacional prevê para resolver tais controvérsias e garantir o respeito pela justiça, também por meio de tribunais internacionais".

Francisco apelou para que "na atualidade não falte a vontade de um diálogo sereno e construtivo entre os Estados" e atribuiu as dificuldades, em parte, a "certa incapacidade do sistema multilateral de oferecer soluções efetivas às várias situações que há muito estão pendentes de resolução".

Também criticou alguns líderes quando disse que as políticas nacionais são "condicionadas cada vez mais e com mais frequência pela busca de um consenso imediato e sectário, em vez de buscar pacientemente o bem comum com respostas a longo prazo".

"Em particular, é também o resultado da crescente preponderância de poderes e grupos de interesse em organizações internacionais que impõem suas próprias visões e ideias, desencadeando novas formas de colonização ideológica, que muitas vezes não respeitam a identidade, a dignidade e a sensibilidade das pessoas", sublinhou.

O papa considerou oportuno que "os políticos escutem a voz do seu povo e busquem soluções concretas para promover o bem maior", pois os cidadãos muitas vezes sentem que as suas necessidades reais não estão a ser atendidas.

Lusa

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