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Deputados britânicos escrevem carta à polícia preocupados com segurança junto ao Parlamento

Jill Lawless

Mais de 50 deputados britânicos enviaram uma carta à comissária da polícia de Londres após uma eleita do partido Conservador contra o Brexit ter sido insultada verbalmente perto do Parlamento.

A carta foi enviada à comissária da Polícia Metropolitana, Cressida Dick, na noite de segunda-feira após os ataques verbais contra a deputada Anna Soubry, que foi repetidamente chamada de nazi por manifestantes enquanto era entrevistada pela estação pública de televisão BBC.

Os deputados referem que têm assistido a "meses de protestos calmos e pacíficos" por grupos que representam uma ampla diversidade de opiniões sobre o Brexit, mas que recentemente "um grupo desagradável de indivíduos com fortes ligações à extrema direita" se juntaram.

A polícia diz que está a investigar para determinar se algum crime foi cometido e prometendo "lidar de forma robusta" com eventuais incidentes de assédio e abuso contra qualquer pessoa quando estes constituírem uma ofensa criminal.

"Uma operação contínua de policiamento na propriedade parlamentar relacionada com o Brexit continua e temos em vigor um plano de policiamento apropriado. O nosso papel é facilitar os protestos pacíficos e equilibrar as necessidades e os direitos de todos os presentes, incluindo manifestantes, deputados e membros da população", garantiu o vice-comissário adjunto Laurence Taylor.

Apesar de pertencer ao partido do Governo, Anna Soubry tornou-se uma das figuras mais destacadas da oposição parlamentar ao Brexit, sendo uma das principais defensoras de um novo referendo.

A imprensa britânica relata que outras pessoas, como jornalistas e comentadores políticos, também foram abordadas e insultadas por elementos não identificados junto ao Parlamento britânico, em Westminster.

Há vários meses que a zona em redor do Parlamento se tornou um espaço de campanha permanente, com manifestantes segurando cartazes e faixas e a gritar palavras de ordem junto das câmaras de televisão que fazem diretos no exterior do parlamento.

O mais conhecido é Steve Bray, que desde 05 de setembro do ano passado passa sete horas por dia no local para protestar contra a saída do Reino Unido da União Europeia, a qual considera um "grande erro e o resultado de mentiras", disse à agência Lusa em dezembro.

Na altura, Duncan Hodgkins, outro dos membros do grupo autointitulado "Stand of Defiance European Movement" (SODEM), deu conta de ameaças e intimidação de elementos da extrema-direita a favor do Brexit, que vêm insultá-los e ameaçaram cortar com facas as faixas e posters.

Em dezembro, cerca de 5.000 pessoas terão participado numa manifestação contra a "traição do Brexit em Londres mobilizada pelo partido eurocético UKIP e o ativista anti-islamismo Tommy Robinson, mas foram confrontadas por um protesto de cerca de 15.000 pessoas contra o racismo.

O debate do acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia na Câmara dos Comuns vai ser retomado na quarta-feira e deve prolongar-se até quinta ou sexta-feira, enquanto o voto, que estava previsto para 11 de dezembro, deverá acontecer na semana seguinte.

O texto inclui um período de transição de 21 meses, até ao final de 2020, durante o qual se aplicariam as regras atuais para permitir que empresas e serviços aduaneiros se preparem para controlos alfandegários mais complicados.

Mas a aprovação do acordo continua incerta devido à objeção não só dos partidos da oposição, mas também de deputados do partido Conservador e do Partido Democrata Unionista (DUP) da Irlanda do Norte, que é aliado e garante a maioria do governo no parlamento.

Na altura, May comprometeu-se a obter "garantias legais e políticas" dos líderes europeus para tentar ultrapassar as objeções sobretudo relacionadas com a solução de salvaguarda conhecida por "backstop", criada para evitar o regresso de uma fronteira física entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda caso não exista um acordo sobre as relações futuras no final de 2020.

Eurocéticos receiam que o pais fique indefinidamente numa união aduaneira com a UE e sujeita a regras europeias sem poder sair unilateralmente, enquanto que os unionistas contestam a imposição de normas diferentes na região da Irlanda do Norte relativamente ao resto do Reino Unido.