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Cidade de Roma e Igreja "em guerra" pelas moedas da fonte de Trevi

Remo Casilli

O valor anual em moedas lançadas pelos turistas não é de desprezar.

"Rebentou a guerra" entre o município de Roma e a Igreja Católica por causa das moedas que são recuperadas das águas da famosa fonte de Trevi.

Anualmente são "pescados" cerca de 1,5 milhões de euros, tradicionalmente atribuídos a organizações de caridade católicas para ajudar os pobres.

Mas a presidente da Câmara Virginia Raggi acha que o dinheiro deve ser gasto na recuperação das infraestruturas da cidade.

A Caritas alerta que os pobres da cidade vão ficar ainda mais desfavorecidos.

"Não estávamos à espera deste revés", lamentou o diretor da Caritas padre Benoni Ambarus, em declarações ao jornal da Conferência Episcopal italiana, Avvenire. "Espero que não seja definitivo".

A notícia foi publicada na edição de sábado com o título "Dinheiro tirado ao mais pobres".

A alteração já foi aprovada pela assembleia municipal e está prevista entrar em vigor em abril.

No entanto, há muitos italianos que estão contra esta medida e apelam à autarca que reconsidere, noticia a agência Ansa.

Autarca acusada de incompetência

Virginia Raggi assumiu o cargo de presidente da Câmara de Roma em 2016, eleita pelo Movimento Cinco Estrelas, que viria a assumir o Governo do país numa coligação em 2018.

A sua popularidade tem vindo a cair uma vez que não tem conseguido lidar com os problemas da cidade endividada.

Em outubro, milhares de pessoas manifestaram-se nas ruas de Roma denunciando a incapacidade de Raggi, nomeadamente na limpeza da cidade e recolha de lixo e na reparação das ruas.

Fonte cinematográfica

A fonte de Trevi, com quase 300 anos, é visitada por milhões de turistas todos os anos.

A tradição de lançar moedas para a água ficou famosa com a canção "A fonte dos desejos" interpretada por Frank Sinatra para o filme com o mesmo nome de 1954.

A fonte é também "protagonista" no filme de 1960 "La Dolce Vita" com Anita Ekberg a caminhar dentro de água de vestido.

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