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Supremo confirma absolvição, Asia Bibi pode finalmente sair do Paquistão 

O Tribunal Supremo confirmou a absolvição da cristã, de 48 anos. Após esta decisão histórica, Asia Bibi poderá finalmente juntar-se às filhas, que fugiram para o Canadá, onde receberam asilo.

Asia Bibi (à esquerda), mãe de cinco filhos, foi acusada de blasfémia em 2009, após ter alegadamente insultado o profeta Maomé durante uma discussão com um grupo de mulheres com quem trabalhava.
Asia Bibi (à esquerda), mãe de cinco filhos, foi acusada de blasfémia em 2009, após ter alegadamente insultado o profeta Maomé durante uma discussão com um grupo de mulheres com quem trabalhava.
© Stringer Pakistan / Reuters

O Tribunal Supremo do Paquistão deu hoje o último passo para que a cristã Asia Bibi possa abandonar o país, ao rejeitar o recurso contra a sua absolvição pelo crime de blasfémia, pelo qual havia sido condenada à morte.


"O recurso foi rejeitado", disse o presidente do Tribunal Supremo do Paquistão, Asif Saeed Khosa, que liderou o coletivo de três juízes que estudaram o recurso contra a sentença de absolvição de Asia Bibi, emitida a 31 de outubro.


"A imagem do Islão que estamos a mostrar ao mundo dá-me muita dor e tristeza", afirmou ainda Khosa.

Asia Bibi, mãe de cinco filhos, foi denunciada em 2009 por duas mulheres por ter alegadamente insultado o profeta Maomé. Em 2010 foi condenada à morte e quatro anos depois perdeu um recurso apresentado a um tribunal superior de Lahore (leste).


Em finais de outubro, o Supremo Tribunal do Paquistão ilibou a cristã, o que provocou protestos de islamitas organizados pelo partido Tehreek-e-Labaik Pakistan (TLP).


Este partido chegou depois a acordo com o Governo do primeiro-ministro Imran Khan para que Asia Bibi fosse proibida de sair do país enquanto não houvesse uma decisão do Supremo sobre o recurso contra a sua absolvição.


Asia Bibi foi libertada a 7 de novembro e levada para um local "seguro", segundo o governo.


Um grupo islamita advertiu, na segunda-feira, o Supremo Tribunal do Paquistão de que o país poderia "arder" se hoje tomasse uma decisão "errada" em relação ao recurso contra a absolvição da cristã Asia Bibi.


"Não queremos que o país arda por uma decisão errada", afirmou num vídeo Shafiq Ameeni, líder interino do partido Tehreek-e-Labaik Pakistan (TLP), que praticamente paralisou o país durante três dias quando Bibi foi absolvida no final de outubro depois de oito anos na prisão, enquanto aguardava o cumprimento da pena de morte.


Ameeni rejeitou os três juízes que analisarão o recurso na terça-feira, entre os quais o presidente do Supremo, Asif Saeed Khan Khosa, que classificou de "irresponsáveis, e pediu a presença de clérigos no tribunal.


Em finais de novembro, o governo paquistanês anunciou a detenção do líder do TLP, Khadim Hussain Rizvi, e de 3.000 dos seus seguidores, na sequência dos protestos.

Lusa