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Diabo da Tasmânia acelerou evolução para dar a volta a ameaça de extinção

© Daniel Munoz / Reuters

Desde 1996, o diabo da Tasmânia é afetado por uma doença que se caracteriza por provocar tumores no focinho.

Os marsupiais conhecidos como diabos da Tasmânia são dizimados há mais de 20 anos por uma forma de cancro contagioso, mas cientistas australianos descobriram que os animais estão a conseguir evitar a extinção evoluindo mais depressa.

O diabo da Tasmânia, um marsupial carnívoro noctívago conhecido pelo forte cheiro que emite quando se sente ameaçado, só existe na ilha que fica ao sul da Austrália e desde 1996 é afetado por uma doença que se caracteriza por provocar tumores no focinho, fatal em quase todos os casos, que já acabou com 85% da população.

A doença transmite-se através das mordeduras que acontecem quando os animais lutam ou acasalam e que provoca tumores no focinho que os impedem de comer, acabando por morrer de fome.

No entanto, os investigadores descobriram que os diabos da Tasmânia, com uma população entre 15.000 e 18.000 animais, estão a desenvolver resistência à doença e a criar anticorpos, com cerca de duas dezenas de animais estudados a conseguirem sobreviver.

O investigador Rodrigo Hamede, da Universidade da Tasmânia, afirmou à France Presse que há animais que contraíram a doença, mas que conseguiram curar-se, enquanto outros não ficaram doentes.

"O risco de extinção continua a existir" ressalvou Chris Coupland, do santuário de Cradle Mountain, observando que a população não pode cair abaixo dos 10.000 animais.

O ciclo reprodutivo dos diabos está a acelerar, com cios anuais em vez de bianuais, como costuma acontecer, e os animais chegam à idade reprodutiva mais cedo.

O que acontece é que, como a população decaiu, há mais alimento e os animais conseguem atingir mais cedo o peso em que se tornam férteis.

Os responsáveis pelo santuário colaboram reunindo informação genética em bases de dados, o que lhes permite selecionar animais para se reproduzirem com mais diversidade genética.

"A adaptação às doenças acontece sempre, mas costuma ser à escala evolutiva [medida em milhares de anos] e não em seis ou oito gerações [12 a 16 anos] . É uma evolução incrivelmente rápida", assinalou.

Lusa

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