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Eleições locais na Turquia testam força política de Erdogan

TURKISH PRESIDENT PRESS OFFICE HANDOUT

Forte crise financeira e de pressão social marcam eleições de hoje.

As eleições locais na Turquia são um teste ao Presidente Recep Erdogan, cujo partido pode perder o controlo político das principais cidades, no meio de uma forte crise financeira e de pressão social.

Hoje, 57 milhões de turcos vão votar nas 81 províncias, para elegerem os autarcas de 30 áreas metropolitanas e 1351 distritos municipais, após uma campanha centrada no desemprego e na crise económica provocada pela forte queda da lira turca.

O Presidente, Recep Erdogan, não vai a votos, mas para muitos analistas estas são eleições que testam a sua popularidade, após uma apertada margem de vitória no referendo de 2017, que aprovou 18 emendas constitucionais apresentadas pelo seu Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP).

O partido de Erdogan vai a estas eleições unido ao Movimento Nacionalista, de extrema-direita, na coligação Aliança do Povo, mas as sondagens indicam que nem a junção de forças deverá permitir manter o controlo político das principais cidades, Istambul e Ancara.

O principal adversário do partido do poder é a Aliança Nacional, que junta um partido de centro-esquerda, o Partido Republicano do Povo, e um partido de direita, o Partido Bom, e que promete enfraquecer a posição maioritária da Aliança do Povo e fragilizar a legitimidade de Erdogan.

O tema central da campanha foi a economia e, em particular, os elevados níveis de desemprego, que a oposição a Erdogan atribui à má gestão do governo e ao progressivo isolamento político do regime.

Em resposta, Erdogan diz que a crise económica tem uma base financeira, provocada pela vertiginosa queda da moeda, a lira turca, que chegou a ficar a valer menos 50% face ao dólar, num período de 12 meses, no início de 2018.

Erdogan atribui essa queda da moeda à estratégia dos Estados Unidos que, na sua versão, pretendem desestabilizar a economia turca.

Na passada quinta-feira, Erdogan disse que a perda de valor de 5% da lira turca face ao dólar e ao euro, registada na passada semana, é, de novo, resultado da ação concertada dos EUA e de países europeus, na véspera das eleições locais de domingo, para tentarem derrubar o seu regime.

Os analistas financeiros, contudo, dizem que a volatilidade da moeda se deve aos esforços do governo para limitar a especulação, para tentar proteger os cofres do Estado e desenvolver a economia.

Por isso, os 13 partidos que concorrem nas eleições de domingo apresentaram diferentes propostas nos diferentes distritos eleitorais, para tentar compensar os efeitos da grave crise financeira e económica.

Os candidatos pela coligação de governo de Erdogan apostaram em realçar o investimento público feito nos últimos anos, em escolas e hospitais, acusando a oposição de se mover por interesses políticos e influência externa.

Erdogan tem acusado a Aliança Nacional de colaborar com os movimentos pró-curdos, nomeadamente com o banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão, um grupo que lutou pela independência e autonomia, contra a Turquia, durante 30 anos.

A questão da paz e estabilidade social foi, igualmente, um tema forte da agenda de campanha em vários distritos, em particular nas regiões predominantemente curdas, no sudeste da Turquia, onde episódios de violência estão ainda na memória de muitos eleitores e onde o governo de Erdogan deteve milhares de pessoas, acusando-as de terrorismo.

Lusa