Mundo

Ex-presidente da Nissan detido por má conduta financeira acusa empresa de complô contra ele

Issei Kato

Na segunda-feira, os acionistas da Nissan nomearam o presidente da Renault para o conselho de administração da fabricante nipónica e formalizaram a saída de Carlos Ghosn.

O ex-presidente da Nissan Motor Carlos Ghosn acusou hoje os executivos da empresa japonesa de conluio contra ele "por medo de que a empresa perdesse autonomia" durante o processo de integração com a fabricante francesa Renault.


Numa mensagem gravada em vídeo, antes da sua nova detenção na última quinta-feira em Tóquio, só hoje divulgada, o franco-brasileiro afirmou ser "inocente de todas as acusações" e que as mesmas estão "fora de contexto e [são] tendenciosas".

A razão para o "enredo" é "o medo que tiveram alguns executivos da Nissan" de que uma maior integração da empresa japonesa dentro da aliança que se formou com a Renault "poderia trair a essência [da empresa] e comprometer a sua autonomia" disse Ghosn, na mensagem divulgada pelos seus advogados.


A parceira francesa Renault detém 43% da Nissan.


Na quinta-feira, Carlos Ghosn foi detido novamente por suspeita de ter desviado cinco milhões de dólares (4,4 milhões de euros).
Os procuradores do Ministério Público japonês adiantaram que o dinheiro terá sido desviado de uma subsidiária da Nissan para uma concessionária fora do Japão.


A detenção aconteceu cerca de um mês depois de Ghosn ter sido libertado sob fiança, quando se encontrava sob custódia das autoridades, suspeito de má conduta financeira enquanto liderava o fabricante japonês.


Durante a assembleia-geral extraordinária, que decorreu em Tóquio, com mais de 4.000 acionistas presentes, foi ainda aprovada a demissão de Greg Kelly, membro do conselho de administração e assessor de Carlos Ghosn, e considerado figura central nas irregularidades financeiras que a empresa sofreu nos últimos anos.


O presidente da Renault, Jean-Dominique Senard, que detém 43% da Nissan, vai ocupar o lugar no conselho de administração que pertencia ainda formalmente a Carlos Ghosn.


A administração tinha dispensado Ghosn da presidência, logo após a primeira detenção, em 19 de novembro, contudo, era necessário a aprovação formal da medida pelos acionistas.

Lusa