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Amnistia Internacional pede investigação a ex-chefe dos serviços secretos do Sudão

Mohamed Nureldin Abdallah

Salah Gosh tem de responder às "alegações de tortura, detenções arbitrárias e violação de direitos humanos".

A Amnistia Internacional (AI) pediu este domingo às autoridades sudanesas de transição que investiguem o papel do ex-chefe dos serviços de informação sudaneses, NISS, na morte de manifestantes durante os quatro meses de protesto ao regime de Omar al-Bashir.

Salah Gosh, o temido responsável do NISS, aceitou renunciar ao cargo no sábado, dois dias após a queda do regime do Presidente Omar al-Bashir, destituído e detido na quinta-feira pelas Forças Armadas, depois de mais de quatro meses de contestação popular.

"É crucial que as novas autoridades sudanesas investiguem o papel de Salah Gosh na morte de muitos dos manifestantes", referiu Sarah Jackson, uma das responsáveis da AI para a África Oriental.

Em comunicado, a mesma responsável sublinha que Gosh tem de responder às "alegações de tortura, detenções arbitrárias e violação de direitos humanos" que ocorreram sob a sua supervisão". Sarah Jackson afirma também que a sua renúncia ao cargo não deve "impedir que seja responsabilizado".

Gosh, que ocupou o cargo durante dez anos até 2009 e voltou a chefiar os serviços secretos em 2018, supervisionou nos últimos quatro meses a repressão do movimento de contestação.

Os protestos começaram em dezembro e, apesar de inicialmente serem motivados pelo aumento do preço do pão e de outros bens essenciais, acabaram por transformar-se num movimento contra al-Bashir, que liderava o país desde 1989, quando chegou ao poder através de um golpe de Estado.

Desde então, dezenas de pessoas foram mortas, sendo o NISS, liderado por Gosh acusado de ser o principal agente da repressão do movimento de contestação no país.

A Amnistia Internacional pediu ainda às autoridades que revelem rapidamente o paradeiro do presidente deposto e o entreguem ao Tribunal Penal Internacional (TPI).

Omar al-Bashir é procurado pelo Tribunal Penal Internacional por acusações de genocídio no Darfur, na década passada.

Lusa