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Jiadista que deixou morrer à sede uma criança no Iraque arrisca prisão perpétua

Julgamento de Jennifer W. decorre em Munique.

Jennifer W., 27 anos, arrisca uma condenação a prisão perpétua. Começou a ser julgada na semana passada, em Munique, sob a acusação de crimes de guerra e por ter deixado morrer à sede uma menina Yazidi, somando-se à lista a violação da lei das armas. “É um caso especial”, reconheceu ao diário “El País” um dos advogados que representa a acusada, e de facto o mundo está de olhos postos neste caso – trata-se do primeiro julgamento pelos crimes cometidos pelo Daesh contra a minoria religiosa Yazidi, perseguida e ameaçada no Iraque pelos jiadistas desde 2014.

O processo envolve nomes de peso. Ainda que não acompanhem a audiência, Amal Clooney e a Nobel da Paz Nadia Murad estão na equipa que representa a mãe da criança.

Sobre a acusada, natural da Baixa Saxónia, sabe-se que deixou o seu país para se juntar ao Daesh em setembro de 2014. Cerca de um ano depois, integrava a polícia moral, com a função de verificar nas cidades iraquianas de Fallujah e Mossul o cumprimento das normas de vestuário fixadas pelo grupo terrorista, conta a France Presse. Para intimidar, usava uma kalashnikov, uma pistola e um colete com explosivos.

Menina Yazidi foi comprada e escravizada

Terá sido por essa altura que Jennifer W. e o marido compraram a menina de cinco anos e a mãe, para as explorar como escravas, relata a acusação. Um dia a menina, doente, molhou o colchão, tendo sido posta na rua, sob um sol escaldante de 45º C, um castigo imposto pelo homem.

Segundo o relato da mãe da vítima - localizada há poucas semanas por uma organização humanitária -, Jennifer nada fez para o impedir e a criança morreu desidratada.

Detida por agentes turcos

Jennifer W. foi detida por agentes turcos passado uns meses, em janeiro de 2016, quando visitou a embaixada alemã em Ancara, para tratar de documentação. Acabou deportada para a Alemanha, onde permaneceu em liberdade, determinada a voltar à Síria, de acordo com o que foi dito pela justiça alemã.

Foi precisamente ao tentar regressar a território sírio que caiu numa operação desenvolvida em parceria com o FBI, ao deslocar-se num carro cujo motorista era um informador. Durante a viagem, contou como tinha participado nos horrores da guerra em nome do califado, incluindo o episódio que envolveu a morte da menina. “Era excessivo, até mesmo para o Daesh”, confidenciou ao motorista, num relato cuja gravação acabou por ser usada contra ela.

O paradeiro do marido, Taha A., é desconhecido.

Segundo a imprensa alemã, a mãe da criança está agora na Alemanha e pretende apresentar o seu testemunho em tribunal.

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