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Ex-presidente do Peru morreu depois de se ter baleado quando ia ser preso

Guadalupe Pardo

O ex-Presidente peruano Alan García morreu esta quarta-feira, depois de se tentar suicidar em sua casa, em Lima. O antigo chefe de Estado foi levado vivo para o hospital, onde acabou por morrer. A tentativa de suicídio aconteceu antes de ser preso por alegados crimes de corrupção relacionados com o caso da construtora brasileira Odebrecht.

Perante as acusações dos apoiantes de Alan García que consideram que a tentativa de suicidio foi provocada por incumprimento dos protocolos policiais, o ministro do Interior acaba de proferir uma comunicação à imprensa sem direito a perguntas:

"À meia noite de ontem a polícia nacional foi notificada pelo ministério público para que proceda à prisão de 9 investigados (por corrupção no caso lava Jato) incluindo Alan Garcia. Às 6:30 uma equipa policial chefiada por um representante do ministério público da área de corrupção.

Entraram e comunicaram esta decisão ao ex-presidente, que se encontrava nas escadas da sua residência. Este disse-lhes que ia ligar ao seu advogado e foi para o quarto, fechando a porta. Pouco depois ouviu-se um disparo, e os polícias forçaram a entrada, encontrando-o numa cadeira com um ferimento na cabeça e levaram-no de imediato ao hospital"

Fontes médicas citadas pela agência de notícias EFE disseram que o antigo Presidente deu entrada num hospital com uma ferida de arma de fogo no lado direito da cabeça.

Segundo a EFE, o ex-Presidente (1985-1990 e 2006-2011) foi internado no hospital Casimiro Ulloa, em Lima, para onde foi levado pelos polícias que foram a sua casa para o prender.

Testemunhas ouvidas pela televisão peruana indicaram que Garcia entrou naquela unidade de saúde coberto por uma manta vermelha.

Logo depois, o filho de Alan García entrou rapidamente no hospital.

A tentativa de suicídio ocorreu quando agentes da Divisão de Investigação Criminal de Alta Complexidade foram a casa de Alan Garcia, sobre o qual pesa desde 2018 uma ordem judicial que o interdita de sair do país, para o deterem e garantirem o cumprimento de 10 dias de prisão preventiva, ordenada pelo poder judiciário.

Além de García, foi ordenada a prisão de Luis Nava e Miguel Atala, ambos colaboradores próximos do ex-Presidente e conhecidos como seus testas-de-ferro.

O caso está ligado a subornos feitos pela empresa brasileira, de forma a ganhar concursos publicos

A situação jurídica García complicou-se depois de, no domingo, ter sido noticiado que a Odebrecht, no âmbito do acordo de cooperação que tem com o sistema judicial peruano, ter revelado que Luis Nava e o seu filho, José Antonio, receberam 4 milhões de dólares para ganhar o concurso de construção de uma linha do metro de Lima.

A Odebrecht está a ser investigada no Peru por ter pago subornos para ganhar contratos de obras de infraestrutura.

Os casos de suborno da Odebrecht no Peru já levaram à prisão do ex-Presidente Pedro Pablo Kuczynski e da líder da oposição peruana, Keiko Fujimori, filha do ex-Presidente Alberto Fujimori.

Com Lusa

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