Mundo

Quem são os suspeitos dos ataques no Sri Lanka?

Chamila Karunarathne

Até esta segunda-feira, poucas eram as pessoas que tinham ouvido falar do National Thowfeek Jamaath.

O grupo de inspiração islâmica National Thowfeek Jamaath está a ser acusado de estar por trás do ataque coordenado a igrejas e hotéis no Sri Lanka, no domingo de Páscoa.

Contudo, nem este grupo local, nem outro qualquer, reclamaram a autoria das explosões que fizeram pelo menos 290 mortos, entre os quais um português de Viseu, e cerca de 500 feridos.

Foi o próprio Governo do Sri Lanka que acusou o grupo. Mas, afinal, o que é o National Thowfeek Jamaath?

As origens

Até esta segunda-feira, dia em que o Governo do Sri Lanka mencionou o seu nome, poucas eram as pessoas que tinham ouvido falar do NTJ.

Segundo a BBC, acredita-se que o grupo surgiu após a separação de outra organização islâmica no país, o Sri Lanka Thowfeek Jamaath. Apesar de também não ser muito conhecido, o SLTJ está mais firmado. O seu secretário foi preso em 2016, por incitar ao ódio contra budistas. Mais tarde, Abdul Razik pediu desculpas.

O jornal britânico dá conta ainda de vários relatórios que ligam o NTJ a uma onda de vandalismo que ocorreu no país, em dezembro, e que tinha como alvos templos budistas em Mawanella, no centro do Sri Lanka.

O grupo pertence a uma pequena minoria religiosa, apenas 9,7% da população do Sri Lanka é muçulmana.

As ligações ao ataque

O porta-voz do Governo, Rajitha Senaratne, disse esta segunda-feira que receberam "vários avisos dos serviços de inteligência sobre possíveis ataques". Já o ministro das Telecomunicações, Harin Fernando, publicou várias imagens no Twitter de documentos que terão sido enviados pela polícia no ínico do mês.

Nos documentos, aparece o nome da organização National Thowfeek Jamaath, assim como o alerta de que o grupo estaria a planear vários ataques a igrejas e à embaixada da Índia. Aparece ainda o nome de Mohamed Zahran, o líder do grupo.

Contudo, visto o quão pequeno é o NTJ, há suspeitas de que o grupo não agiu sozinho. "Não vemos como uma pequena organização pode fazer tudo aquilo", disse Rajitha Senaratne aos jornalistas, adiantando também que as autoridades estão a investigar possíveis ligações internacionais.

A Interpol anunciou esta segunda-feira que deslocou uma equipa de investigadores para o Sri Lanka com o objetivo de ajudar as autoridades locais no âmbito dos atentados.

"Se necessário, especialistas adicionais no campo da medicina digital forense, biometria e análise de vídeo e foto podem ser adicionados a essa equipa no local", referiu a nota.

39 turistas de várias nacionalidades entre os mortos

O ministro do Turismo do Sri Lanka, John Amaratunga, anunciou que 39 turistas de várias nacionalidades foram mortos nos atentados, enquanto outros 28 ficaram feridos.

Entre as vítimas mortais, está um português que morava em Viseu, era funcionário de uma empresa de Vouzela e estava a passar a lua-de-mel no Sri Lanka. "Era uma pessoa com um coração enorme, um grande amigo", afirmou Augusto Teixeira sobre Rui Lucas, numa entrevista à agência Lusa.

Entre os estrangeiros mortos, estão ainda dinamarqueses, australianos, americanos, chineses, japoneses, britânicos, turcos e indianos.

Igreja em Negambo, um dos alvos dos ataques deste domingo no Sri Lanka.

Igreja em Negambo, um dos alvos dos ataques deste domingo no Sri Lanka.

Athit Perawongmetha/ Reuters