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Pelo menos um morto e um ferido à passagem do ciclone Kenneth pelo norte de Moçambique

Fernando Faria

Todos os distritos da zona norte estão sem abastecimento de energia. As autoridades relatam queda de árvores e estragos em vários edifícios.

O ciclone Kenneth provocou pelo menos um morto e um ferido na cidade de Pemba, Norte do país, durante a última noite devido à queda de um coqueiro tombado pela tempestade, disse à Lusa fonte da proteção civil local.

Informação de uma outra vítima mortal por causa da intempérie está por confirmar na vila de Macomia, cerca de 150 quilómetros a norte, na mesma província de Cabo Delgado, acrescentou outra fonte, realçando que a falta de energia e comunicações está a dificultar o levantamento da situação.

As imagens da passagem do ciclone Kenneth por Pemba pelo olhar de um português em Moçambique

Informação preliminar aponta para elevados estragos na região, com casas precárias destruídas, levadas pelo vento forte e chuva intensa, e com famílias ao relento no arquipélago das Quirimbas, nomeadamente na ilha do Ibo, e ainda nos distritos do continente de Quissanga, Mucojo, junto à costa, e Macomia, um pouco mais para o interior.

Os estragos podem estender-se a outros, acrescentam as mesmas fontes, enquanto se aguarda o restabelecimento de comunicações.

Morador fala em "situação caótica no norte de Moçambique

O ciclone Kenneth chegou ao Norte de Moçambique classificado com a categoria quatro, a segunda mais grave, com ventos contínuos de 225 quilómetros por hora e rajadas de 270 quilómetros por hora, anunciou hoje o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitário (OCHA).

Apesar de já ter perdido força, continua a provocar chuvas intensas na região e há elevado risco de cheias e deslizamento de terras.

"O ciclone Kenneth pode exigir uma grande operação humanitária em paralelo com a resposta em curso ao ciclone Idai", referiu hoje o OCHA.

ONU estima necessidade de nova operação humanitária em larga escala

As Nações Unidas estimaram hoje a necessidade de uma nova operação humanitária em larga escala para responder à passagem do ciclone Kenneth por Moçambique, numa altura em que a ajuda aos afetados pelo Idai permanece "criticamente subfinanciada", segundo o sub-secretário-geral das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários e coordenador da Ajuda de Emergência, Mark Lowcock:

"O ciclone Kenneth pode requerer uma nova operação humanitária em larga escala ao mesmo tempo que a resposta ao ciclone Idai, que visa 3 milhões de pessoas em três países, se mantém criticamente subfinanciada".

Numa declaração divulgada pelas Nações Unidas, o responsável expressou pesar pela perda de vidas e pela destruição já causada pelo ciclone Kenneth, que passou pelas Comores há dois dias, antes da atingir Moçambique na noite passada como uma tempestade de categoria 4.

Mark Lowcock lembrou que este novo "desastre" acontece apenas seis semanas depois de o ciclone Idai ter devastado a zona central de Moçambique, matando mais de 600 pessoas, causando uma epidemia de cólera, destruindo as colheitas e forçando milhares de pessoas a depender de assistência humanitária para sobreviver.

Assinalou também a destruição massiva de casas, escolas e infraestruturas, incluindo de saúde, num dos países mais pobres do mundo.

"Antes de tempestade ter atingido Moçambique, o Governo e os voluntários da Cruz Vermelha alertaram as comunidades nas áreas de maior risco de inundações e deslizamento de terras e realojaram os habitantes em maior perigo", referiu o responsável.

Explicou, por outro lado, que o Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês) deslocou o seu pessoal em Moçambique para Pemba, capital de Cabo Delgado, a zona mais afetada pelo Kenneth, para ajudar a coordenar a resposta governamental.

Numa altura em que as áreas afetadas por este novo ciclone são ainda difíceis de aceder, Mark Lowcock sublinhou a "necessidade urgente" de abrigos, água potável, 'kits' sanitários e de higiene, bem como comida, geradores e equipamentos de telecomunicações.

O ciclone Kenneth marca a primeira vez que dois ciclones atingiram Moçambique durante a mesma estação, apontam as Nações Unidas, estimando que o Maláui e o Zimbabué, países igualmente atingidos pelo Idai, venham também a registar chuvas torrenciais de inundações causadas pelo Kenneth.

"As famílias cujas vidas foram viradas de cabeça para baixo pelas catástrofes causadas pelo clima precisam urgentemente da generosidade da comunidade internacional para sobreviver nos próximos meses", apelou Mark Lowcock.

Com Lusa