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Trump "secou" o Partido Republicano de candidatos à Casa Branca em 2020

Yuri Gripas

Partido Republicano quase sem alternativa para as presidenciais de 2020.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou há dois anos que se recandidatava a novo mandato e deixou o Partido Republicano quase sem alternativa para as presidenciais de 2020.


Do lado do Partido Democrata, são já 20 os candidatos à Casa Branca, com a entrada na corrida, na quinta-feira, de Joe Biden, o antigo vice-Presidente de Barack Obama, que as sondagens indicam ser o mais forte adversário para Donald Trump.


Mas na barricada Republicana, Donald Trump parece ter provocado o "efeito de eucalipto", secando a possibilidade de alternativa, para já apenas protagonizada por Bill Weld, governador do Massachusetts.

Efeito "impeachement'


Mas, a mais de um ano das eleições, tudo pode ainda mudar, com os Democratas no Congresso, a ponderarem um processo de 'impeachement' a Donald Trump, por obstrução à justiça, na sequência do relatório do procurador-especial Robert Mueller, sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016.


E Donald Trump conhece certamente a tradição que ensombra os presidentes em exercício: sempre que um incumbente é desafiado de forma séria numas primárias (nomeadamente porque foi fragilizado por um processo de destituição), geralmente acaba por perder contra o candidato do partido adversário.


Foi isso que aconteceu em 1992, quando o Presidente George Bush (pai) foi desafiado por Pat Buchanan, acabando por perder contra Bill Clinton; tinha sido isso que acontecera em 1980, quando o Presidente Jimmy Carter foi desafiado por Ted Kennedy, acabando por perder contra Ronald Reagan; fora isso que acontecera em 1976, quando o Presidente Gerald Ford foi desafiado por Ronald Reagan, acabando por perder contra Carter.


Para já, Donald Trump ainda não foi desafiado seriamente por nenhum candidato Republicano, diz que não teme o processo de 'impeachment' e sexta-feira afirmou-se como um "jovem" e "cheio de vida", quando o interrogaram sobre se os 76 anos de Joe Biden seriam uma idade tardia para uma entrada na corrida à Casa Branca.


Aos 72 anos, depois de ter anunciado a sua recandidatura em 17 de fevereiro de 2017, Trump prometeu agora vencer facilmente Joe Biden, o seu mais direto rival, e há dois anos que aproveita todas as "folgas" de Presidente, para percorrer o país em comícios onde repete o seu 'mantra': "Tornar a América Grande Outra Vez".


Bill Weld apresentou oficialmente a sua candidatura às primárias Republicanas no passado dia 15, mas tem revelado dificuldades em apresentar prova de apoio financeiro que lhe permita uma candidatura difícil para Trump, ao mesmo tempo que o Presidente em exercício multiplica as suas sessões de angariação de fundos.


Mas no Partido Republicano há ainda expectativas sobre o desenvolvimento do caso do relatório Robert Mueller e alguns potenciais candidatos reservam o seu lugar, sem ainda se comprometerem na corrida.

Outros candidatos na corrida

É o caso do antigo senador pelo Tennessee, Bob Corker, do governador de Maryland, Larry Hogan e do antigo governador do Ohio, John Kasich: qualquer um deles admite poder vir a avançar com uma candidatura Republicana, mas nada farão até haver uma clarificação sobre o eventual processo de 'impeachement' no Congresso.


Para trás, tendo anunciado que não concorrerão, apesar de terem bases de apoio no partido, ficaram nomes relevantes na fação Republicana, como Steve Bannon, ex-diretor de campanha de Trump, com quem se incompatibilizou, em 2018; Jeb Bush, antigo governador da Florida e irmão de George W. Bush; Mitt Romey, antigo candidato presidencial; ou Ted Cruz e Marco Rubio, ex-candidatos presidenciais e antigos apoiantes de Trump.


Fora da corrida deverá também ficar Mike Pence, o atual vice-presidente de Donald Trump, que já disse publicamente não ter qualquer intenção de enfrentar.


Em resposta, Trump prometeu que voltaria a escolher Mike Pence para seu vice-Presidente na corrida de 2020.

Lusa

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