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Justiça dos EUA escolhe procurador para analisar relações Trump/Rússia

CHRIS KLEPONIS / POOL

Esta investigação já tinha sido pedida por Trump.

O procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, escolheu um procurador de Connecticut para analisar as origens da investigação à alegada conspiração entre Donald Trump e a Rússia nas eleições presidenciais de 2016, informaram esta terça-feira alguns media internacionais.

Barr escolheu John Durham, procurador do Connecticut, para investigar se a informação com origem na Rússia e que envolveu a campanha às presidenciais de Donald Trump foi feita "dentro da legalidade", referem órgãos de comunicação como a Associated Press, a BBC e o The New York Times.

Esta investigação já tinha sido pedida por Trump, que acusou várias vezes os seus oponentes de empreender uma "caça às bruxas".

O primeiro relatório sobre a ingerência russa nas eleições presidenciais referia que Donald Trump estava a planear demitir o procurador especial Robert Mueller, responsável pela investigação, mas o Presidente negou, afirmando que se quisesse acabar "com a caça às bruxas", teria "demitido todos".

Na altura, os democratas acusaram Trump de tentar desviar a atenção das conclusões de Robert Mueller. No seu relatório, o procurador especial concluía que a Rússia tinha ajudado a campanha presidencial de Donald Trump em 2016, mas não encontrou provas de uma conspiração criminosa.

A nomeação de Surham acontece cerca de um mês depois de Barr ter dito aos membros do Congresso que acreditava que tinha "havido espionagem" na campanha de Trump de 2016, embora mais tarde tenha garantido que não tinha qualquer intenção pejorativa nas suas declarações.

O procurador-geral não adiantou detalhes sobre que "espionagem" terá sido feita, mas os media consideram que ele se estava a referir a vigilâncias feitas pelo FBI ao antigo assessor de Trump Carter Page e ao assessor de Trump para política externa durante a campanha, George Papadopoulos.

O diretor do FBI Chris Wray afirmou, na semana passada, que não considera "espionagem" uma vigilância que é autorizada pelos tribunais e adiantou que não tem qualquer prova de que o FBI vigiou ilegalmente a campanha de Trump.

A investigação de John Durham vai focar-se na questão da legalidade dos métodos do governo para obter informação sobre Trump e fica separada da investigação do Departamento de Justiça.

O ex-procurador-geral Jeff Sessions tinha escolhido outro procurador federal (do Utah), John Huber, em março do ano passado, para rever aspetos da investigação da Rússia, na sequência de queixas de legisladores republicanos.

A análise feita por Huber é uma "avaliação completa e objetiva" das preocupações republicanas, disse na altura Jeff Sessions.

Os congressistas republicanos também indicaram querer analisar a forma como a investigação ensombrou a presidência de Donald Trump durante quase dois anos para verificar se há dúvidas relacionadas com a legalidade.

Lusa