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Embaixada de Espanha no Líbano iça bandeira LGBT em país que persegue homossexuais

Tyrone Siu

Líbano é considerado um dos países menos conservadores da região do Médio Oriente.

A embaixada espanhola no Líbano içou hoje a bandeira arco-íris, que representa o comunidade LGBT, pelo Dia Internacional contra a Homofobia, num país onde a lei castiga as relações "antinaturais" e é usada para perseguir e discriminar homossexuais.

"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Não importa quem és ou quem amas: a justiça e a proteção devem aplicar-se a todos", indica a embaixada na rede social Twitter, mostrando a bandeira arco-íris a ondular junto à de Espanha.


"Mas em todo o mundo, as pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros (LGBT) enfrentam a discriminação e violência", adianta.


Os ativistas no Líbano lutam pela abolição do artigo 534 do código penal que persegue as condutas consentidas entre pessoas do mesmo sexo, consideradas "contrárias à ordem da natureza" e que podem ocasionar penas de até um ano de prisão.


A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch denunciou em fevereiro que as forças de segurança libanesas intervêm frequentemente em eventos relacionados com o género e a sexualidade.


O ano passado, as forças do Líbano detiveram um ativista e pressionaram para que fossem canceladas as iniciativas relacionadas com a Semana de Orgulho em Beirute.


Ainda assim, o Líbano é considerado um dos países menos conservadores da região do Médio Oriente.


Vários tribunais libaneses proferiram sentenças que criaram jurisprudência, afirmando que as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo não podem ser consideradas "antinaturais" se não violarem "a moral e a ética", ou seja, se não forem "vistas ou escutadas por outros ou realizadas num lugar público".


Na Arábia Saudita, por exemplo, as relações entre pessoas do mesmo sexo podem ser punidas com a pena de morte.

Lusa