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Hospital obrigado a manter suportes de vida a Vincent Lambert

PHOTOPQR/L'UNION DE REIMS

Tribunal de recurso francês obrigou a manter suportes de vida a paraplégico.

Horas depois de terem iniciado o processo de suspensão dos cuidados que têm mantido vivo Vincent Lambert, um tetraplégico em estado vegetativo há 10 anos, os médicos franceses receberam ordens para voltar atrás.

O tribunal "ordena ao Estado francês que tome medidas para a aplicação das ações provisórias requeridas pelo Comité Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência (CDFD, na sigla inglesa) em 3 de maio deste ano" sobre a manutenção da alimentação e da hidratação de Vincent Lambert, uma decisão que divide a família e a sociedade francesa, segundo a decisão consultada pela agência noticiosa AFP.

"Esta é uma grande vitória. Pela primeira vez eu estou orgulhosa dos tribunais.", disse a mãe, Viviane, momentos após a decisão.

Contudo, vários membros da família não receberam a notícia com o mesmo entusiasmo, como é o caso de um sobrinho, que referiu que voltar ao tratamento é "puro sadismo do sistema médico-judicial".

O francês, de 42 anos, sofreu danos cerebrais graves num acidente de carro em 2008 e, desde então, está ligado ao suporte de vida no Hospital Sebastopol em Reims, no nordeste da França, onde os médicos determinaram que a sua situação é irreversível.

O caso continua a dividir a sociedade francesa. O Presidente francês, Emmanuel Macron, e o Papa Francisco constam entre as figuras e as instituições que reagiram a este caso.

"A decisão de interromper os cuidados foi tomada depois de um diálogo permanente entre os seus médicos e a sua mulher, a sua tutora legal" e na "aplicação da nossa legislação que permite suspender os cuidados em casos de obstinação irracional", referiu o chefe de Estado francês, na rede social Facebook.

Por sua vez, através do Twitter, o Papa Francisco apelou à proteção da vida "desde o início até ao fim natural", mas sem mencionar o nome de Vincent Lambert.

"Vamos rezar por aqueles que vivem num estado grave de deficiência. Vamos sempre proteger a vida, o dom de Deus, desde o início ao fim natural. Não iremos ceder à cultura do descartável", escreveu o pontífice numa mensagem publicada no Twitter, traduzida em várias línguas.

Com Lusa

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